Carta ao meu grande amor!



Hoje, o dia acordou com ventania, daquelas que tudo se escuta quando passa pelas frestas da janela, daquelas que mexe com tudo o que não está preso e sai do lugar causando bagunça que por hora havia sido arrumada há pouco.

 Enquanto o mundo inteiro descansa, corre, tropeça, escorrega, pisa na lama ou segue em movimento, me dei conta que a ventania lá fora era somente um sopro suave e sutil diante da ventania que ocorria em minha cabeça, que, como o mundo inteiro, segue em movimento.

  Percebi também que a ventania era uma nuvem cinzenta, daquelas que sopra no mundo inteiro e faz vento.

  Serei eu uma jagada em movimento escrava do vento? Ou livre pelo vento?

  Quando colocastes na mesa os pratos limpos, colocastes também um espelho, bem diante dos meus olhos e minha cabeça seguiu em movimento como jangada ao vento.

  Meu agora magro dorso curvado sobre a cama, no escuro, esconde meus olhos vermelhos e úmidos perto daquele  travesseiro acolhedor de meus pensamentos. 

Com o mesmo olhar vermelho e úmido, vi o que querias me mostrar com aquele espelho refletido em palavras certeiras. 

  Por meio do espelho, falastes que sou marcada pela vida. Talvez essas palavras marcaram-me mais que a própria vida.    

  Pensei: aos 30 eu não era marcada pela vida. Ou era? Não, não era dessa forma. Refleti: Pra que serve a vida? Não seria pra deixar marcas? Marcas do tempo, marcas no rosto, marcas nos produtos, marcas registradas, marcas das lembranças? 

  Devo sentir-me culpada pelas marcas que recebi da minha vida? Isso é um problema? Isso não trouxe nada de aprendizagem ou maturidade? 

  Me percebi, por uns instantes,  como algo alguém ruim por conter marcas da vida. Me senti numa inquisição, culpada,  indo ao fogo do inferno por possuir marcas da vida. 

  - Você é marcada pela vida!!!! Isso ressoa na ventania de meus pensamentos.

  Mas, o mundo inteiro não tem marcas da vida? O tomate vermelho escuro apodrecido pelo tempo, a borboleta que voa pela primeira vez,a espiga do milho cozido, a terra arada para o plantio, o presente que vira antigo e do  passado, a mulher que dá a luz, o pai que entra em conflito com o filho adolescente, os traumas que se carrega quando não se tem a beleza padronizada, o medo da rejeição de uma mulher, a separação dos pais, as dificuldades de um dia de trabalho, a morte de alguém, o crescimento de uma muda plantada, a rua asfaltada, o sol que registra o biquíni pequeno no corpo bronzeado, o amor verdadeiro, o relacionamento que não deu certo, a paz procurada, o abraço quente e cheiroso dos filhos, a primeira palavra daquele que saiu lá de dentro, o primeiro passo daquele ser que precisou de ajuda para se locomover...

  Devo sentir-me mal por ser marcada pela vida? Nós não somos como o mundo inteiro?

 Certa vez ouvi que o flamenco bem dançado era aquele bem expressado, aquele que carrega lá de dentro as marcas da vida para o externo e que isso, sim,  era o flamenco... O flamenco se sente quando tocamos, dançamos, ouvimos, vemos... Sempre desejei ter marcas da vida para bem bailar! As marcas podem ser boas ou não, não é?

  Amanheci em silêncio com a mente clara como lâmpada, embaralhada pela ventania. Era um silêncio conturbado. Sem dúvidas, o mensageiro do vento trouxe-me a necessidade de me fazer ser melhor que sou. Meu coração tem caminhado em  estradas marcadas por sapatos de saltos pontiagudos que trouxeram lágrimas derramadas. 

   De colo em colo, segue o bebe. Ao meu respeito, apenas quero desculpar-me pelas minhas marcas, pois, por um instante, pensei que apenas eu fosse dona  marcas vitais. O mundo inteiro está aqui dentro e em todo lugar, em volta do que somos. Não escolhi algumas marcas, mas escolho ter muitas delas. Escolho ser melhor com elas, por causa delas. Escolho te amar, mesmo com as marcas  que aqui estão. 

  A ventania acalmou, as marcas continuam. Quando minha voz puder tocar tua alma, verás que todos trazermos marcas e isso não é desmerecedor...isso é simplesmente fabuloso! Tenho marcas sim...da felicidade de ter meus filhos, da importância invisível do meu trabalho, das lições que a vida me troxe, da saúde que me permite viver, correr, caminhar, da cabeça que me permite aprender( apesar da dificuldade no inglês), dos tombos de bicicleta que me fizeram  chorar e hoje sorrir da infância livre e pura marcada pela felicidade... Tenho marcas aqui dentro que me permite procurar um amor puro, talvez não aqui, mas acho que ele existe em alguma atmosfera. Tenho a marca da vida que me fez acreditar nas revoluções e, talvez,  num mundo melhor. Me orgulho de minhas marcas, pois com ela, procuro PAZ!!!!!!!!!!!!!!

 


O que vejo...

Paranapiacaba

Lugar que me instigou a acreditar que, por instantes, estava em algo parecido com Leste Europeu, pós ordem Bipolar, esperando se encontrar e sistematizar na Ordem nem tão Mundial assim.

 







LETRAS FLAMENCAS

Era un jardín sonriente;
era una tranquila fuente de cristal;
era, a su borde asomada,
una rosa inmaculada
de un rosal.

Era un viejo jardinero
que cuidaba con esmero
del vergel,
y era la rosa un tesoro
de más quilates que el oro
para él.

A la orilla de la fuente
un caballero pasó,
y la rosa dulcemente
de su tallo separó.

Y al notar el jardinero
que faltaba en el rosal,
cantaba así, plañidero,
receloso de su mal:

-Rosa la más delicada
que por mi amor cultivaba
nunca fué;
rosa la más encendida
la más fragante y pulida
que cuidé;

blanca estrella que del cielo,
curiosa de ver el suelo,
resbaló;

a la que una mariposa
de mancharla temerosa
no llegó.

¿Quién te quiere?¿Quién te llama
por tu bien o por tu mal?
¿Quién te llevó de la rama,
que no estás en tu rosal?
Pepe Marchena                                                                               


Geografando...



O CO2 nos dias de hoje


          É muito evidente como o modelo de produção econômica atual é poluidor e destruidor da natureza. De um lado, temos a fartura e riqueza em algumas partes do mundo e de outro, a degradação ambiental, a poluição e a miséria. Em contrapartida, a consciência ambientalista evoluiu e se popularizou, passando progressivamente a fazer parte da vida cotidiana, por meio de decisões governamentais, mudanças de hábitos e implementação de ações e projetos conjuntos, envolvendo países, governos, empresas e cidadãos. O fato é que o problema ambiental é mundial e requer envolvimento conjunto e integrado de todos nós, os envolvidos.
          Todos admitem que o problema ambiental é sério, como também o aquecimento global, a poluição atmosférica e o efeito estufa  e que algo tem que ser feito. Mas, priorizam-se economias e consumos. Basta analisar a postura americana diante do Protocolo de Quioto.
          Com a mundialização do capitalismo, se intensificou a busca pelo lucro e, assim sendo, o Tratado de Quioto não deixou de ser uma mercadoria num lucrativo negócio chamado crédito de carbono. Dessa forma, as economias desenvolvidas compram dos países pobres o direito de poluir, compensando sua não redução na emissão de carbono ou outros gases do efeito estufa. Trata-se de uma flexibilização do Protocolo de Quioto pela qual os países ricos fazem acordos com empresas ou governos dos países pobres no sentido de promover uma redução fora do seu território. Isso ficou conhecido como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ( MDL ). A negociação de créditos de carbono é sua forma principal. Assim, as empresas que desenvolveram projetos industriais nos países em desenvolvimento para reduzir a emissão de gases poluentes poderão vender essa redução aos países que necessitem se enquadrar no padrão da  redução. A moeda do lucrativo comércio é o carbono equivalente.
Nesta realidade, empresas e governos reduzem a problemática ambiental de maneira simples,“prendendo” o CO2 na superfície terrestre, num determinado local, denominado país, e negocia esta mercadoria, em pacotes fechados, como se a problemática fosse apenas uma equação matemática, camuflando as necessidades do  plantio de vegetação que captura CO2 atmosférico e converte em matéria orgânica vegetal.
Ora, como ficamos?
Alê Pesenti





“Uma Verdade Inconveniente ”


A questão ambiental e as consequências do aquecimento global, inicialmente, eram discussões para especialistas e que, de tempos para cá, começaram  a ser abordadas pela imprensa, pelas escolas, pelos governos, até o ponto de se tornar base para um “pensamento politicamente correto”,  ser  utilizado como marketing para empresas e governantes, bem como candidatos ao governo de diversos locais. Juntamente com o destino do planeta, estes assuntos se tornaram excelentes temas para roteiros cinematográficos que renderam lucros aos seus criadores. Dentro desta abordagem, pode-se citar o filme “ Uma verdade inconveniente”.
Neste documentário o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore apresenta uma análise da questão do aquecimento global, e mostra os mitos e equívocos existentes em torno do tema e também possíveis saídas para que o planeta não passe por uma catástrofe climática nas próximas décadas. Ganhador de um Oscar pelo melhor documentário, faz um chamado para se conservar energia,  nos mostra o quanto a atmosfera terrestre é fina, e o quanto ela é essencial para o nosso planeta. Assim, a questão levantada é a emissão de dióxido de carbono e o consequente aquecimento global, que causaria, entre tantas catástrofes, o degelo das calotas polares, a subida do nível médio das águas do mar e a alteração da temperatura da água em todo o planeta. Na verdade, o filme trata-se uma palestra onde Al Gore começa mostrando a natureza e um pouco da política, na introdução. Quando a palestra de Al Gore inicia o espectador não consegue desviar a atenção. Mostra-se sabedor do assunto, não parece defender a natureza por “politicagem”.

            Usando ironia “saudável” mostra bom humor no início, porém, quando começa a falar sobre o tema central esse humor desaparece. Ao longo da palestra, Gore conta histórias e dá exemplos de sua vida para explicar alguns fenômenos, como o aquecimento global e a degradação da camada de ozônio. Mostra também vídeos irônicos, engraçados e ao mesmo tempo didáticos. Um dos pontos mais chocantes no documentário é a apresentação de um gráfico da temperatura em função dos anos e da concentração de CO² também em função do tempo, onde se percebe que o problema é mais sério do que muita gente imagina. Al Gore, toca em assuntos pessoais ao decorrer da palestra, como por exemplo, o acidente que vitimou seu filho e a doença que matou sua esposa. Ele não mostra apenas os problemas, apresenta também as soluções, mostrando o que podemos fazer para ajudar a contornar essa problemática.
O filme carrega consigo um teor que convence qualquer ser humano, principalmente aqueles que tenham como base apenas o conteúdo proposto por Gore, pois aborda um problema ético, moral  e de sobrevivência da humanidade.  O caráter de documentário bem como o uso de imagens e gráficos legitima a ideia de verdade e que com um jeito simpático, Gore lucra com suas centenas de palestras sobre a problemática, como uma autoridade inquestionável do assunto.

Ao assistir o filme, fiquei pensando, o tempo todo,  que Gore é um americano,  e não apenas um simples cidadão americano nacionalista, mas um político com pretensões presidenciais que  representaria uma nação americana com  interesses hegemônicos imperialistas historicamente construídos. Então,  como seria na prática política, defender interesses econômicos e ao mesmo tempo vestir a camisa da ecologia?
Com uma análise controversa do filme, através dos materiais apresentados neste módulo, pude concluir o caráter ideológico deste trabalho proposto por Gore, diante de uma derrota nas eleições presidências e de construção de um marketing pessoal que contradiz com a realidade vivenciada pelo mesmo agente ativo da defesa da natureza e do meio ambiente, num discurso aparentemente científico que legitima a fonte de autoridade de controlar as sabedorias humanas.
Apesar da utilização do tema como pano de fundo para marketings e faturamentos empresariais, pessoais e governamentais, é sim um tema a ser estudado e aprofundado com muito cuidado e diversidade de fontes, pois nas entrelinhas do assunto, pode estar uma defesa ou levantamento de bandeira com propósito ideológico questionável que acabará beneficiando apenas alguns, tal como essencialmente acontece no palco do capitalismo. Assim, dentro desta vertente, me chamou a atenção das ações geopolíticas do governo norte americano durante o mandato da dupla Clinton/Gore.
Estas ações geopolíticas de influência na escala mundial e regional, na defesa de interesses na escala local, me levou a pensar sobre a  obra “ uma verdade inconveniente” como uma legitimação para ações futuras do governo norte-americano em terras da floresta amazônica, atestando a incapacidade de ação dos governos dos territórios ocupados pela floresta, principalmente o brasileiro. Como o assunto tratado no filme centraliza a camada de ozônio, o aquecimento global e a emissão de CO2 na atmosfera, indiretamente, mostra ao mundo que a floresta amazônica é importante para o mundo e que este mesmo mundo deve permitir que os americanos a dominem para o bem do futuro da humanidade. Portanto, o que mais me preocupa com o filme, não é o oportunismo e a hipocrisia do trabalho de Gore, mas como este trabalho pode ser considerado como verdade absoluta e que o mundo precisa tomar conta da Amazônia através da superpotência mundial, os EUA.


Alessandra Pesenti




 A questão Nuclear e o Brasil

A energia elétrica gerada pelas atuais usinas nucleares baseia-se na divisão do átomo e usam como matéria-prima o urânio, minério altamente radioativo ( emitem radiação – transmissão de energia através de ondas subatômicas. Liberam constantemente energia ). Nas usinas atômicas, a quebra nuclear é provocado sob o controle no reator atômico. A energia liberada na fissão produz calor, que aquece uma certa quantidade de água, transformando-a em vapor. A pressão do vapor faz girar uma turbina que aciona o gerador convertendo a energia mecânica em elétrica.

Esse tipo de geração de energia entrou em declínio no mundo devido os acidentes gravíssimos ocorridos nas usinas nucleares, além da poluição e escape de radiação, dos problemas ambientais gerados, o aquecimento do meio ambiente ao seu redor e a produção do lixo atômico.

A sua importância não pode ser negada pois surge como uma alternativa aos países num momento em que o mundo busca novas fontes de energia e numa época em que o petróleo vem sendo colocado me questão por conta de assuntos geopolíticos,ambientais, escassez e preço do produto.

Porém, há o desenvolvimento da tecnologia nuclear, que, nas ultimas décadas,vem sendo intensamente pesquisado e com grandes avanços e mudanças. Muitos reatores de hoje serão transitórios para uma tecnologia mais avançada, onde poderão utilizar o plutônio como matéria-prima.
Portanto, se isso ocorrer, a energia nuclear poderá estabelecer uma expansão no mundo. 

O Programa Nuclear Brasileiro, especialmente o acordo com a Alemanha, vem sendo criticado por cientistas e pela população por vários motivos: por ser uma decisão “de cima para baixo”, que a previsão de falta de energia não se concretizou, pelo alto custo das usinas e das tarifas para o suprimento da eletricidade, além dos riscos ambientais.

A energia nuclear foi desenvolvida para produzir bombas atômicas com terrível poder explosivo, mas logo se percebeu que poderia também ser usada em reatores nucleares nos quais se produz eletricidade. Como separar essas atividades e como limitar o seu uso aos fins pacíficos, evitando que seja usada para fins militares?

Esse desafio está sendo enfrentado, há quase 40 anos, pelas restrições impostas pelas grandes potências que desenvolveram armas nucleares aos demais países. Isso foi feito por meio do Tratado de Não-Proliferação (TNP), firmado em 1967, que legitimou a posse de armas nucleares pelos Estados Unidos, pela Rússia, pela Inglaterra, pela França e pela China e tentou evitar que outras nações as desenvolvessem, restringindo o acesso à tecnologia. 

O TNP foi o resultado de uma barganha diplomática: países abririam mão do acesso a armas nucleares em troca do desarmamento progressivo das grandes potências, o que, ao longo dos anos, levaria ao banimento dessas armas. Ele dividiu o mundo assimetricamente em dois grupos: os "que têm" e "os que não têm" armas nucleares. As restrições do TNP, porém, têm sido aceitas voluntariamente por muitos países. O Brasil está entre eles, uma vez que o governo se convenceu, a partir de 1992, de que a posse de armas nucleares não traria vantagens ao País, incluindo restrições às importações. 

Juntamente com a Argentina, abriu mão do acesso a armas nucleares, o que tornou o Cone Sul da América Latina uma zona livre de armas e ameaças nucleares. As nações do planeta, que não explodiram bombas atômicas antes de 1967, se comprometem, conforme assinado no TNP, a jamais produzir tais armas. Contudo, elas podem desenvolver tecnologia nuclear, desde que seja para fins pacíficos, como, por exemplo, para a produção de energia elétrica. Esses projetos, porém, devem passar pela inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e, caso algo de errado seja detectado, o projeto é encaminhado para o Conselho de Segurança da ONU.

Portanto, o Brasil não apresenta incoerência em seu programa de desenvolvimento nuclear e fazer parte de uma Zona Livre de Armas Nucleares, pois tem como objetivo a produção de energia de reserva e, de acordo com a constituição brasileira, o país não poderá ter ou produzir armamentos nucleares. As zonas livres de armas nucleares representa regiões que abriram mão da produção de armamentos nucleares, mas isso não impede que a tecnologia nuclear seja utilizada para fins benéficos, como é o caso do Brasil, que enriquece o urânio a 4% ou 5%, potencialidade muito distante da produção de armas, que é de 93%.
Alê Pesenti






Acostumando a me expressar.

                                                                              Longe...


Longe de seus lábios e de sua pele,
do toque de suas mãos, que, com minhas mãos,
adequadamente combinam terna e serenamente,
me sinto, dolorosamente,
como uma criança entre pessoas desconhecidas,
com medo.
Sinto de perto a fronteira com a loucura e
loucamente a desejo longe de minha mente.
Ainda imagino teus beijos.
O que tenho, agora, é apenas uma ferida no coração
E uma cama.
Me coloco sentada e ali são feitas as noites amargas em minha dor
Dor profunda, derrotada por teu amor
  Alê Pesenti

O que vejo com os olhos dos outros?


O uso de imagens



    Atualmente, diante de uma realidade vivenciada por um mundo globalizado, onde tudo acontece de modo urgente e com uma velocidade estonteante, nunca vista antes na história, a imagem e seu uso está fazendo parte de nosso cotidiano de maneira quase que natural, necessária e como se fosse parte inerente da humanidade. A realidade passa a ser informada e interpretada através de imagens.
    Ocorre que, com a imagem, acabamos  vendo com os  olhos de outros e isso pode figurar a realidade de uma maneira romantizada ou tendenciosa, visto que imagens não são cópias fiéis da realidade e sim uma representação de um certo “ espaço ” e “ tempo ”.
    Assim como o significado mais profundo da vida não é de ordem material, o significado mais profundo da imagem também não é algo que está no explícito e sim em suas entrelinhas, pois uma imagem é uma interpretação do real e cada pessoa analisa o real ou a imagem de acordo com suas vivências, experiências, ideologias, filosofias, culturas, classes sociais, etc. Dessa forma, o uso de imagens pode ser colocado em discussão, pois tem vários aspectos a serem analisados. Em contra-partida, a imagem se torna fundamental em alguns momentos e como exemplo, pode-se citar uma aula de geografia, onde o assunto é relevo e o destaque é uma “ chapada ”. Claramente a imagem funciona como um elemento importante para que o aluno tenha condições construir a concretização da idéia de chapada e de  compreender  as  diferentes formas de relevo.    Sob um aspecto diferente, ao se trabalhar com imagens na disciplina de História, por exemplo, estas podem indicar uma realidade construída de acordo com o que mostrar, o que nem sempre é o real, e sim a idéia de alguém  visto com deter-minado ponto de vista ou com alguma intenção ideológica. Como exemplo, temos fotos de cafezais com famílias completas, colhendo cafés, bem  vestidas e felizes. Será que o trabalho nos cafezais, no início do século passado, era realmente assim? Quem produziu a foto, a pedido de quem, com qual objetivo?
    Bem como as fotos históricas, as imagens jornalísticas também precisam ser vistas com cuidado especial e crítico, coisa que nem sempre acontece, principal-mente na rapidez do cotidiano globalizado. As imagens apresentadas nos jornais, noticiários, estão a serviço de quem? Qual o compromisso de quem as capta: desvendar ou ocultar o que realmente acontece?
     Apesar das imagens não serem cópias da realidade, são por demais úteis, instrumento que não podemos abrir mão, pois são recursos que nos levam a ampliar nossa capacidade de apreensão do mundo. Na sociedade moderna/contemporânea, há uma industria de produção e consumo de imagens. Dessa forma, o que se faz com essa produção? Estará ajudando na propagação de um sistema político, eco-nômico e ideológico para legitimá-lo?
Portanto, a construção de imagens, independente de como ela se apresenta, seja fotos, pinturas, vídeos, entre outros, carrega a realidade da forma como é captada, não trazendo consigo a sua essência e sim uma interpretação sob uma deter-minada ótica de um sujeito com uma bagagem de um mundo existencial, subjetivo e pessoal. Perceber o que está nas entrelinhas das imagens é tão importante quanto ao seu uso, pois os olhos de alguém pode se tornar os olhos do mundo e imortalizar um tempo e espaço fragmentado e assim promover ou não alterações de uma de-terminada situação. Um exemplo disso é a famosa foto da menina, em plena guerra do Vietnã, correndo nua, queimada. O momento foi fragmentado, mas esta imagem foi responsável para que o mundo entendesse o que estava ocorrendo nesta guerra, passando a questioná-la bem como seu objetivo.
Concluindo, o olhar individual de cada um é adaptado diante das imagens construindo idéias do real , preocupação  atual que já fora, em outros tempos, ques-tionadas por Platão e outros filósofos.
 Por Alessandra Pesenti

Fonte das imagens:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipQXVwKy60J1vVUdBwoxvpHbno78CEVDY9SwzxAz84u_J_mSItc5q2CTp1r_8-JqUe-fpLOq_nBTmZXjhyphenhyphenNR4Evhy99_gyZ-H1Aw2YetNDC6sUhyNXCgIqGdZeYTKNosyEgBKsWZAlak-7/s1600/B33728D64DB26A22B1F9F5EB75567.jpg
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O QUE É BONITO É PARA SE LER!




Mario Benedetti - Arco iris




A veces
por supuesto
usted sonríe
y no importa lo linda
o lo fea
lo vieja
o lo joven
lo mucho

o lo poco
que usted realmente
sea

sonríe
cual si fuese
una revelación
y su sonrisa anula
todas las anteriores
caducan al instante
sus rostros como máscaras
sus ojos duros
frágiles
como espejos en óvalo
su boca de morder
su mentón de capricho
sus pómulos fragantes
sus párpados
su miedo

sonríe
y usted nace
asume el mundo
mira
sin mirar
indefensa
desnuda
transparente

y a lo mejor
si la sonrisa viene
de muy
de muy adentro
usted puede llorar
sencillamente
sin desgarrarse
sin deseperarse
sin convocar la muerte
ni sentirse vacía

llorar
sólo llorar

entonces su sonrisa
si todavia existe
se vuelve un arco iris.

Nueva página: http://www.facebook.com/TallerFilosoficoSociologico

O FLAMENCO FAZ PARTE DE MIM...




 Y ser flamenco


"Y ser flamenco es cosa:
es tener otra carne
alma, pasiones, piel, instintos y deseos;
es otro ver el mundo,
con el sentido grande;
el sino de la conciencia,
la música en los nervios,
fiereza independiente,
alegría con lágrimas,
y la pena, la vida y
el amor ensombreciendo;
odiar lo rutinario,
el método que castra;
embeberse en el cante,
en el vino y los besos;
convertir en un arte sutil,
y de capricho y libertad, la vida;
sin aceptar el hierro de la mediocridad;
poner todo a un envite;
saborearse, darse, sentirse,
¡vivir!"
Tomás Borrás









Elegía del cantaor”, 1906

“Cuando escucho en tu guitarra
un cante por soleá
oigo en mi alma un silencio
que es música de verdad.
Música tan de verdad
que las estrellas se callan
para poderla escuchar." 

Jose Bergamín.


     




 
 O que imagino ...

                     ... refletir sobre a cultura diante do mundo globalizado, focando, com especificidade, a arte flamenca, numa oportunidade de analisar e juntar duas das grandes paixões de minha vida: O Flamenco e a Geografia. 

          A  dança flamenca é o centro e , não foi ignorado o aspecto cultural e sua  essência, que, nas últimas décadas, devido aos efeitos da globalização, o cenário artístico e cultural sofreu alterações intensas em escala global.

          Tais mudanças se disseminaram devido à instantaneidade nos fluxos materiais e imateriais provocada pela internet e pelo desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação e transportes. Essa movimentação dinâmica facilitou as trocas culturais e o crescimento de espaços multiculturais.

          Assim  como a  cultura flamenca, de uma escala local parte  e desperta paixões dentro da escala mundial?



  







Certa vez...



... quando surgiu numa pequena cidade uma tecnologia que transformou e nos deu acesso a tantos conteúdos culturais de diversas partes do mundo, conheci o filme "Carmen " de Carlos Saura.  A tecnologia a que me refiro é o Videocassete,  Nunca tinha visto nada parecido. A força dos movimentos, dos olhares, da expressão facial, a magia da música, a trama da história, o roteiro... Enfim, tudo me encantou. Pensei, então: “Quero isso pra mim!” Mas, estávamos diante de um mundo tão distante! Um dia, vi que estavam abrindo turmas para aprender o flamenco.  Isso causou estranheza,  era tudo diferente, não era apenas repetir o que a professora fazia, tinha algo à mais e isso me inquietou.
                                             Novo estranhamento: as aulas vinham também com parte teórica e histórica, além das técnicas. Tudo tinha que dançar! Mãos, dedos, corpo, pés, pernas, cabelo, rosto, olhos... Que difícil! Assim, escutávamos sobre a Espanha, sobre o povo cigano e seu cotidiano, com suas simbologias e sentimentos tão pertinentes a eles como grupo. Aprendi que o flamenco era o ar que o povo respirava, era o sentir e o viver. Percebi que havia um “ambiente flamenco”. Os professores e músicos contavam que aprenderam convivendo nos bairros ciganos, morando com famílias ciganas e também em escolas destinadas a aprendizagem desta cultura pra os estrangeiros. Aprendi também que o flamenco estava presente nos afazeres domésticos, nos batizados, nos enterros, nas brincadeiras de crianças. Por falar nisso, nos contavam que nas rodas de festa, as mães, balançavam seus bebês recém-nascidos no ritmo dos toques da guitarra. Grávidas, elas dançam e cantam. Flamenco nasce e cresce junto com as pessoas ou as pessoas nascem e crescem com o flamenco.
                                            Essa leitura que os professores tiveram do modo de vida e a transmissão dessas experiências, possibilitaram uma melhor e mais rica aprendizagem do flamenco, que ia além da execução de movimentos. Assim, é preciso conhecer, incorporar, sem juízos de valores o modo de vida do outro para aprender uma arte que não faz parte do meu contexto. As manifestações das expressões do flamenco se encontram em suas raízes e histórias marcadas por perseguições e sofrimentos, lamentos e alegrias.






EL FLAMENCO.

El flamenco es un estilo español de música y danza que se originó en Andalucía en el siglo XVIII, que tiene como base la música y la danza andaluza. Hay controversia sobre su origen, ya que aunque existen distintas opiniones y vertientes, ninguna de ellas puede ser comprobada de forma histórica. Aunque el diccionario de la RAE lo asocia a la etnia gitana, esto no es aplicable a su origen; no obstante, nadie duda de su aportación a las bases del flamenco. La tesis más extendida es que sólo ese mestizaje cultural que se dio en Andalucía (musulmanes, cristianos, judíos, gitanos, etc.) propició el origen de este género, ya que gitanos, cristianos, musulmanes y judíos hay en muchas partes del mundo y sin embargo, flamenco solo hay en Andalucía. Por lo tanto el flamenco es un patrimonio auténtico y genuinamente de todos los andaluces sin distinción de etnias y religión.
El cante, el toque y el baile son las principales facetas del flamenco. En los últimos años, la popularidad del flamenco en Iberoamérica ha sido tal que en Guatemala, Costa Rica, Panamá y El Salvador han surgido diversas agrupaciones y academias de flamenco. En Japón el flamenco es tan popular que en ese país hay más academias de flamenco que en España.
En noviembre de 2010 la Unesco declaró al flamenco Patrimonio Cultural Inmaterial de la Humanidad.
La palabra flamenco, referida al género artístico que se conoce bajo ese nombre, se remonta a mediados del siglo XIX. No hay certeza de su etimología, por lo que se han planteado varias hipótesis:
• Por paralelismo con el ave zancuda del mismo nombre: Algunas hipótesis relacionan el origen del nombre del género flamenco con las aves zancudas del mismo nombre. Una de ellas dice que el flamenco recibe esa denominación porque el aspecto y el lenguaje corporal de sus intérpretes recuerda a dichas aves. Marius Schneider, en cambio, defiende que el origen del término puede estar en el nombre de estas aves, pero no en su parecido con el estilo de los bailaores sino en que el modo de mi, que es el predominante en el repertorio flamenco, se relaciona en la simbología medieval, entre otros animales, con el flamenco.

• Por ser la música de los "fellah min gueir ard", los campesinos moriscos sin tierra: Según Blas Infante, el término "flamenco" proviene de la expresión andalusí, que significa "campesino sin tierra". Según él, muchos moriscos se integraron en las comunidades gitanas, con las que compartían su carácter de minoría étnica al margen de la cultura dominante. Infante supone que en ese caldo de cultivo debió surgir el cante flamenco, como manifestación del dolor que ese pueblo sentía por la aniquilación de su cultura.6 Sin embargo, Blas Infante no aporta fuente histórica documental alguna que avale esta hipótesis y, teniendo en cuenta la férrea defensa que hizo a lo largo de su vida de una reforma agraria en Andalucía, que paliase la mísera situación del jornalero andaluz de su época, esta interpretación parece más ideológica y política que histórica o musicológica. No obstante, el Padre García Barrioso, también considera que el origen de la palabra flamenco pudiera estar en la expresión árabe usada en Marruecos fellah-mangu, que significa "los cantos de los campesinos". Asimismo, Luis Antonio de Vega aporta las expresiones felahikum y felah-enkum, que tienen el mismo significado.
• Porque su origen está en Flandes: Otro número de hipótesis vinculan el origen del término con Flandes. Según Felipe Pedrell el flamenco llegó a España desde esas tierras en la época de Carlos V, de ahí su nombre. Algunos añaden que en los bailes que se organizaron para dar la bienvenida a dicho monarca se jaleaba con el grito de ¡Báilale al flamenco! Sin embargo el término "flamenco" vinculado a la música y al baile surgió a mediados del siglo XIX, varios siglos después de ese hecho.
• Porque a los gitanos se les conoce también como flamencos: En 1881 Demófilo, en el primer studio sobre el flamenco, argumentó que este género debe su nombre a que sus principales cultivadores, los gitanos, eran conocidos frecuentemente en Andalucía bajo dicha denominación.
No se tiene certeza del motivo por el que los gitanos eran llamados "flamencos", sin embargo hay numerosas noticias que apuntan hacia un origen jergal, situando al término "flamenco" dentro del léxico propio de la germanía. Esta teoría sostiene que "flamenco" deriva de flamancia, palabra que proviene de "flama" y que en germanía se refiere al temperamento fogoso de los gitanos.
En el mismo sentido el diccionario de la Real Academia Española dice que "flamenco" significa coloquialmente "chulo o insolente", siendo un ejemplo de ello la locución "ponerse flamenco". En un significado similar, el término "flamenco" es usado como sinónimo de "cuchillo" y de "gresca" o "algazara" por Juan Ignacio González del Castillo, en su sainete El soldado fanfarrón.

Fuente: Wikipedia.












 GLOSSÁRIO FLAMENCO


A COMPÁS: Cante ou baile que é interpretado seguindo fielmente o ritmo ou cadência do estilo correspondente.
A PALO SECO: Cante interpretado sem o acompanhamento da guitarra, a capella.
ABANDOLAOS: Cantes ou fandangos típicos de Málaga.
AFICIONADO/A: Pessoa entusiasta da arte flamenca. Também denomina o intérprete de qualquer das facetas do flamenco (toque, baile ou cante), que não o exerça como profissional.
AFILLA: Tipo de voz dentro do Cante Flamenco, rouca e rasgada.
AFLAMENCARSE: Fenômeno pelo qual uma estrofe ou canção de qualquer gênero adquire características flamencas.
AL AIRE: Guitarra. Tocar sem cejilla.
ALANTE: (cante de) Cante que se executa para ser ouvido.
ALBOREÁ: Cante Flamenco. Pertence ao grupo dos cantes influenciados pela Soleá. Comum nos casamentos de ritual “gitano”.
ALEGRÍAS: Cante e baila flamencos de compasso misto. Próprio de Cádiz.
ARPEGIADO: Guitarra. Técnica de toque empregada para interpretar acordes com notas consecutivas e não simultâneas. A primeira das cordas se toca com o polegar e as restantes com os demais dedos alternados.
ARRANCARSE: Começar a execução de um cante ou baile.
ATRÁS(cante de): Cante que se executa para ser bailado.

b

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BAILAOR/A: Artista que baila flamenco.
BAILE: O flamenco é um baile vivo e em constante evolução, mas suas características básicas se cristalizaram entre 1869 e 1929, a chamada idade do ouro do flamenco.
BAMBERA: Cante. Sua copla é de quatro versos octasílabos, ainda que algumas vezes segue um esquema diferente. É um estilo folclórico aflamencado.
BRACEOS: Movimentos do baile flamenco executado com os braços.
BULERÍAS: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo.

c

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CABALES: (1) Arremate das seguiriyas. (2) Pessoas entendidas em cante flamenco.
CAFÉ CANTANTE: Local onde serviam bebidas e ofereciam recitais de cante, baile e guitarra. Durante seu apogeu, na segunda metade do secXIX, contribuiram para difundir a pratica profissional do flamenco.
CAÍDA: Final de um cante.
CAMPANILLEROS: Cante. Sua copla é de 6 versos. É um cante aflamencado que se originou de canções religiosas andalusas que eram entoadas no Rosário de la Aurora.
CANTAOR: Artista que canta flamenco.
CANTE: Utilizado como abreviação de “Cante Flamenco”, denomina o conjunto de composições musicais em diferentes estilos que surgiram entre o último terço do séc. XVIII e a primeira metade do séc.XIX, devido a justaposição de modos musicais e foclóricos existentes na Andaluzia.
CANTE CHICO: Expressão subjetiva que denomina os cantes menos solenes e mais apropriados para o baile.
CANTE FESTERO: Assim são chamados os estilos alegres e agitados, como as alegrias, as rumbas e os tangos.
CANTE GRANDE: Expressão subjetiva de denomina os estilos mais solenes do cante. Também pode significar um cante bem interpretado.
CANTE JONDO: Expressão subjetiva que denomina os cantes mais solenes, primitivos, profundos e com força expressiva. Sinônimo de cante puro.
CANTES DE IDA Y VUELTA: Expressão que designa o conjunto de estilos aflamencados procedentes do folclore hispano americano.
CANTIÑAS: Cantes próprios de Cádiz, de compasso misto, entre os quais se destacam: Caracoles, Mirabrás, Alegrias, Romeras e Cantiñas propriamente ditas.
CAÑA: Cante flamenco muito antigo.
CARACOLES: Cante flamenco do grupo das Cantiñas de Cádiz.
CARCELERAS: Cante do grupo das Tonäs. É interpretada sem guitarra (a palo seco). A copla é de quatro versos octossílabos.
CARTAGENERA: Cante flamenco do grupo dos Cantes de Levante, de execução livre.
CEJILLA: Peça que se fixa sobre o braço da guitarra para subir o tom.
COLOMBIANAS: Cante flamenco do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta.
COMPÁS: Medida de uma frase musical com sua acentuação correspondente.
COPLA: (1) Canção popular. (2) Estrofe de quatro versos octossílabos com rima assonante nos pares.
CUADRO FLAMENCO: Conjunto de interpretes de baile, cante e toque flamencos.

d

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DECIR: Cantar. Em especial cantar com um estilo peculiar, conferindo ao cante intensidade e comunicação plenas.
DESPLANTE: Baile. Golpes fortes dados contra o solo que se emprega como arremate de outros passos, correspondendo na guitarra aos rasgueios simples que vão ao final da melodia.
DUENDE: Encanto misterioso e inefável do cante. É uma expressão poética que dá nome à magia intrínseca do flamenco. Segundo alguns autores, há uma ligação entre o termo Duende e os ritos dionisíacos, onde se vivia uma espécie de transe coletivo.

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FALSETAS: Execuções com a guitarra para completar os espaços entre os tercios do cante.
FANDANGO: Cante flamenco procedente do folclore, com muitas formas e variações em toda Andaluzia.
FARRUCA: Cante de origem folclórico andaluza que se aflamencou. Alguns autores o consideram um dos Cantes de Ida Y Vuelta.
FLAMENCO: Termo com o qual se designa o conjunto de cantes e bailes formado pela fusão de certos elementos do orientalismo musical andaluz dentro dos peculiares modos expressivos gitanos. O Flamenco é uma manifestação cultural que se originou na Andaluzia, com uma existência de aproximadamente dois séculos. A origem do nome Flamenco em seu significado atual, que aparece documentado já ao final do séc. XVIII, está ainda sem resolver.

g

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GARROTÍN: Cante de origem folclórico andaluz que se aflamencou.
GITANOS: Povo nômade que chegou a Península Ibérica por volta do séc.XV.
GRANAÍNA: Cante flamenco. É o Fandango de Granada. De execução livre, é costume arremata-lo com a Media Granaína.
GUAJIRA: Cante flamenco com influência do folclore cubano, pertence ao grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta.

j

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JABERA: Cante flamenco do grupo dos Cantes Abandolaos (Cantes de Málaga).
JALEAR: Ato de acompanhar e animar o baile, cante e guitarra com palmas e exclamações.
JONDO: Adjetivo que se aplica ao cante flamenco mais puro.
JUERGA: Festa ou reunião de aficionados e interpretes em um ambiente idôneo para a melhor manifestação do baile, cante e guitarra.

l

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LAÍNA: Tipo de voz fina do cante flamenco.
LIVIANAS: Cante flamenco do grupo das seguiriyas.

m

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MACHO: Estribilho de alguns cantes.
MALAGUEÑAS: Cante flamenco livre próprio da região de Málaga, expressão flamenca do Fandango com mesmo nome.
MARIANA Cante flamenco que se origina do aflamencamento de uma canção andaluza. Compasso semelhante ao dos Tientos.
MARTINETE: Cante flamenco do grupo das Tonas (a palo seco) que pode levar o acompanhamento de “ yunque y martillo” (bigorna e martelo).
MELISMA: Grupo de notas sucessivas cantadas sobre a mesma sílaba, como adorno ou floreio da voz.
MILONGAS: Cante flamenco de origem hispanoamericana, do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta.
MINERA: Cante. Com copla de cuatro ou cinco versos octossílabos, que provavelmente apareceram nos meados do séc.XIX. Pertence ao grupo dos Cantes de Levante e dentro dele, como seu nome indica, pertence aos chamados Cantes de las Minas, com uma modulação tão definida e marcada como a da Taranta. Sua vertente mais conhecida é das Minas de La Unión, em Murcia.
MIRABRÁS: Cante flamenco do grupo das Cantiñas de Cádiz.

n

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NATURAL: Uma classe de voz própria do cante flamenco. Voz de peito.

o

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ÓPERA FLAMENCA: Espetáculo flamenco de cante, baile, e guitarra que proliferou nos anos de1920 a 1936 por toda Espanha, organizado por empresários profissionais, e apresentado quase sempre em praças de toros e grandes teatros.

p

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PALMAS: Forma de acompanhar o cante. Existem vários tipos: abafada (sorda), dobrada (redoblás), natural.
PALO: Nome que recebe cada estilo de cante.
PALO SECO: Cantes sem o acompanhamento da guitarra.
PELLIZCO: Comoção que produzem determinados cantes ou bailes no ânimo das pessoas que os escutam ou presenciam.
PEÑAS FLAMENCAS: Entidades constituídas em forma de associação por aficionados pela arte flamenca, para a exaltação e difusão do cante, baile e toque flamencos. Tiveram seu apogeu a partir do início dos anos 60 em toda a Andaluzia, estendendo-se por toda Espanha e diversos países estrangeiros. Nas Peñas, a arte flamenca é o tema contínuo das reuniões e dos recitais, tanto de intérpretes consagrados como de novas promessas.
PETENERA: Cante flamenco, provavelmente oriundo de Paterna de La Rivera (Cádiz).
PLAYERAS: Nome antigo dos cantes por seguiriya.
POLO: Cante flamenco muito antigo, próximo da Caña.

q

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QUEJÍOS: Ayes (ais) que se executam no cante ao pricípio, meio e final.

r

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ROMANCE: Cante. Chamado também de corrido ou corrida, se originou de uma entonação especial dos romances populares andaluzes. É interpretado sem acompanhamento, e por isso é considerado por muitos o estilo mais primitivo do flamenco, de onde procederam as Tonás. Existe uma variante criada por Antonio Mairena ao compasso de Soleá por Bulerias.
ROMERA: Cante flamenco do grupo das Cantiñas de Cádiz.
RONDEÑA: Cante flamenco do grupo dos Cantes Abandolaos (Málaga).
RUMBAS: Cante aflamencado do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta.

s

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SAETA: Cante de origem religioso popular que se interpreta na Semana Santa durante as procissões.
SALÍA: Começo do cante.
SERRANAS: Cante flamenco do grupo das Seguiriyas.
SEVILLANAS: Cante e baile folclórico aflamencados de origem andaluza.
SEGUIRIYA: Cante flamenco, trágico e triste, que a princípios levava o nome de Playera.
SOLEARES: No singular, Soleá. Cante flamenco com compasso misto. Possui muitas variantes.
SON: Acompanhamento do cante ou baile mediante palmas, e ou castanholas, nudillos, golpes, etc.

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TABLAO: Cenário para atuação dos artistas.
TANGOS: Cante flamenco ao compasso de 4/4, rítmico e alegre que provavelmente teve sua origem nas Américas.
TANGUILLO: Tango de Carnaval ou Tango de Cádiz. Cante que os coros interpretam no carnaval. Compasso de 4/4.
TARANTAS: Cante flamenco flamenco do grupo dos Cantes de Levante ou de Las Minas. Execução livre.
TARANTOS: Cante flamenco que pertence ao grupo dos Cantes de Levante. Compasso 4/4.
TEMPLE: Cantiñeos que o cantaor utiliza para encontrar o tom que a guitarra lê da.
TEMPORERAS: Cante flamenco do tipo Laboral Campesino.
TERCIO: Cada um dos versos que constam em uma copla de cante.
TIENTOS: Cante. Com copla de 4 versos octossilabos, sguidos geralmente por um ou vários estribilhos de 3 versos, de medida uniforme. São conhecidos desde a metade deste século , atribuídos a Enrique el Mellizo e divulgados por Manuel Torre. Procede dos Tangos e tem o compasso igual a este, ainda que mais lento, solene e complicado.Emm Cádiz era chamado Tango Tiento, ou seja tango lento. Mais tarde em Sevilla, a expressão se reduziu a Tientos. É um cante bailável, com letras sentimentais e comovedoras.
TOCAOR: Guitarrista flamenco.
TONÁS: Cante flamenco sem guitarra, pertence ao grupo dos Martinetes, Deblas, Carceleras.
TOQUE: Ação e efeito de tocar a guitarra flamenca.
TRILLERAS: Cante flamenco de origem Andaluza, que se cantava nos trabalhos no campo. Também chamado Cantes de Trilha.

v

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VERDIALES: Cante flamenco aparentado com o folclore, pertence ao grupo dos Abandolaos.
VOZ AFILLÁ: Denominação que se aplica ao tipo de voz rouca, grave e rasgada, por alusão ao cantaor El Fillo, que segundo a tradição oral possuía este tipo de voz.
VOZ LAÍNA: Designa a voz de tom agudo, fino.

z

topo

ZAMBRA: Festa mourisca com música e algazarra. Posteriormente, festa dos gitanos andaluzes. Ainda hoje se cultiva a Zambra Granadina, nas Cuevas Del Sacromonte, formada por três bailes de Caracter Mínimo: la Alboreá, la Cachucha, e la Mosca, que simbolizam três momentos da boda gitana. Esta mímica, refletida na dança, pretende preservar uma antiga tradição do baile.
ZAPATEADO: Baile. Consiste em um baile sóbrio de grande presença flamenca, que surge a meados do séc. XIX. É uma combinação rítmica de sons executados com a planta, salto e ponta do pé, e é interpretado por homens. Quando dançado por mulheres, estas usam traje masculino. Atualmente o Zapateado flamenco se intercala na maioria dos estilos, tanto por homens como por mulheres, muitas vezes ficando a guitarra em silêncio, para ressurgir junto com os demais elementos de acompanhamento no momento de sua maior intensidade ou arremate.
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 ORIGEM
 
Toda a pesquisa para encontrar uma origem única do Flamenco parece não nos levar a lugar nenhum. O mais provável é que tenha se formado ao longo dos anos graças à miscigenação cultural de diferentes povos que habitaram a Península Ibérica, particularmente a Espanha, que é, há mais de duzentos anos, considerada a pátria do Flamenco.

gitanos

Chegaram em 1425 e fixaram-se em várias regiões, especialmente em Andaluzia que foi onde houve uma maior sintonia com a população autóctona que lá se encontrava. As origens do cante aparecem extremamente relacionadas às regiões da Andaluzia onde as gitanerias foram importantes. As gitanerias eram um núcleo urbano com importante presença cigana, mas também se usa o termo para expressar a qualidade que faz referência aos ciganos na forma de interpretar o flamenco.

árabes

711 a 1492
Ocuparam vasto território espanhol, principalmente a Andaluzia, por onde entraram e também por onde partiram. Essa foi a região da Espanha onde se deu a maior influência da cultura árabe que por ali deixou um imenso legado, e, por isso mesmo, acredita-se que muitas das manifestações culturais desta região seja de origem árabe, entre elas, o Flamenco. Por outro lado, a chamada música andalusi foi levada pelos mouros expulsos da Espanha ao norte da África e lá desenvolvem seqüelas musicais. Em 1922, o compositor espanhol Manuel de Falla comenta:
"... o que não deixa sombra de dúvida é que a música que ainda se conhece em Marrocos, Argel e Tunez com o nome de música andaluza dos mouros de Granada, não apenas guarda um caráter peculiar que a distingue de outras de origem árabe, como também em suas formas rítmicas de dança reconhecemos facilmente a origem de muitas de nossas danças andaluzas: sevilhanas, zapateados, seguidillas etc."
O musicólogo Lothean Siemens explica que o cantar a lo flamenco não é só do flamenco, mas um fenômeno muito antigo, muito espanhol. Muitos acreditam que ele seja de origem árabe, ao passo que os árabes acreditam ser de origem andaluza. Eles fazem diferença entre a música árabe pura, que é oriental, e a andalusí, que é do norte da África Ocidental. Tanto o Flamenco como a música árabe pertencem a um amplo espectro de correntes musicais que integram o chamado orientalismo musical e a semelhança entre ambas é inegável, contudo o que mais chama a atenção é que em ambas o melisma — várias notas numa mesma sílaba — é um signo comum e característico.

mouriscos

São os mouros e descendentes árabes que permaneceram clandestinos na Espanha depois da expulsão dos árabes.
Blas Infante, chamado de "o pai da Andaluzia", formula a hipótese de que este povo teria se misturado aos grupos de gitanos e outros marginalizados sociais para passar desapercebidos. É uma hipotése que deve continuar sendo investigada, mas se vem daí o cante, por que ele não teria surgido em outras regiões onde os mouros foram até mais numerosos, como Valencia, Aragão ou Castilha? Parece que em Granada eles também formaram um grande núcleo, mas no resto da região da Andaluzia não, portanto, ainda pairam dúvidas sobre se teriam os mouros participado da criação do Flamenco.

judeus

Outra influência muito comentada no Flamenco é a dos Judeus. Já gozou de grande repercussão com base no artigo publicado em 1930 pelo escritor israelita Máximo José Khan, pseudônimo de Medina Azara. Neste artigo, ele relaciona as origens do cante com os marranos ou judeus convertidos ao cristianismo. Apesar desta teoria já ter sido francamente questionada, não se pode negar a semelhança que há entre alguns cantes hebreus com o cante jondo.
"À semelhança dos ciganos, os judeus não criaram o cante flamenco, mas colaboraram em sua conservação junto com os andaluzes e os murcianos e há pelo menos dois cantes cuja procedência judia será dificilmente negada, as antigas saetas (pura liturgia sinagogal) e a petenera. Mairena e Molina perceberam ecos do cante sinagogal em algumas seguiriyas e também nas saetas, aparentadas com o Kol Nidrei (jondo hebreu), é cantado especialmente pelos sefaraditas, os judeus de origem espanhola, e que nos leva a pensar que o Nidrei imita o jondo e não o contrário.

outras influências

Mais duvidosas, porém possíveis, e algumas inclusive prováveis, e acima de tudo lógicas em um território que foi encruzilhada privilegiada de culturas relevantes de cada período histórico, desde a legendária Tartessos - império semilegendário da Espanha antiga, que compreenderia a atual Andaluzia, e Levante até o norte de Alicante. Desaparecem em mãos dos Cartagenenses, em 500 a.c.; até os sete séculos de dominação muçulmana; árabes, moriscos, judeus, músicas litúrgicas etc.

excertos sobre a origem do Flamenco

 
Felix Grande:
"Camardería de la desdicha; una suerte de solidariedad espontânea que funcionó en lo momentos má dramáticos de la represión contra los gitanos, a quienes muchos andaluces payos pobres dieron cobijo."
"El cante flamenco és una expresión musical que arrastra una mezcolanza tal de voces que ni es paya, ni gitana, ni morisca, ni andaluza. Ninguno de estos pueblos tiene la primacía o monopolio del flamenco."
José Manuel Caballero Bonald:
“El flamenco vendría a resultar de una fusión entre gente que compartían, o tenían en común, modos de vidas similares, un modo semejante de buscarse la vida que facilitó la convivencia hasta el punto que llegó a resultar dificil distinguir a unos de otros."
"É coisa sabida, que depois da expulsão dos judeus e a rendição do último baluarte árabe -- fato que coincide, mais ou menos, com a chegada das primitivas tribos de ciganos à Península -- foi se criando na Espanha do século XVI uns imprecisos agrupamentos sociais, formados por indivíduos de distintas procedências e mentalidades; mouriscos e judeus, gitanos e camponeses sem terras, gente dispersa e errante perseguidos pela inquisição ou fugitivos do desterro ou clandestinidade.
"É muito possível que, efetivamente, a etnia gitana propriamente dita não se arraigasse na Espanha senão através dessas fusões e que entre nós, tenha se dado por extensão o nome de gitanos aos supostos cruzamentos destes com aquelas famílias de deserdados de fugitivos do Santo Ofício e dos tribunais civis. Uns e outros devem ter se juntado — por motivos, às vezes contraditórios — na desgraça comum, e a mesma sociedade que os expulsou de seu seio, tenha fomentado neles a vagabundagem e a violenta luta pela vida.
"Logicamente, esses grupos heterogêneos de foras-da-lei, aos quais foram se juntando outras vertentes sociais, acabaram fundindo num mesmo cadinho suas antigas formas de cultura, intercambiando atavismos de suas respectivas histórias sociais.
“De toda esta longa tradição resultaria uma voz personalíssima e profunda, a alma da Andaluzia que se pronuncia em sua canção mais genuína e começa a gestar-se na mais profunda de suas dimensões: o cante flamenco.”

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HISTÓRIA

etapa pré-flamenca

(até último terço do séc. XVIII)

Os ciganos já habitavam a Espanha 350 anos antes do nascimento dessa arte e, não há como pensar na história do cante andaluz sem relacioná-lo com os núcleos gitanos que se formaram nas populações da Andaluzia. Paralelamente à formação desses núcleos houve um período de apogeu das danças e cantos populares em todo o país, cujo rastro pode ser encontrado posteriormente nos estilos dos cantes andaluzes e/ou flamencos. A este processo devemos acrescentar o legado deixado por importantes culturas numa zona geográfica que foi uma encruzilhada privilegiada e fundamental de povos que habitaram a Espanha.

perído primitivo

(1765- 1860)

Este período é pouco conhecido mas é certo que o cante nasceu numa pequena região da baixa Andaluzia — Triana, Jerez e Cadiz e seus arredores.
Possivelmente, os primeiros estilos flamencos derivam do Romance Castellano e se cantaria a palo seco, ou seja, sem acompanhamento de instrumento musical. Em seguida surgiriam as Seguiriyas e as Soleás, frutíferas árvores do cante e tudo se desenvolveria a partir daí.

idade de ouro

(1860-1910)

Surgimento dos primeiros Cafés Cantantes, locais onde eram realizados espetáculos em que o baile era um dos maiores atrativos e a guitarra se desenvolvia paralelamente ao baile.
Silvério Franconetti é um dos maiores responsáveis pelo florescimento desse período.
Em Jerez surgem vários seguiriyeros e tanto Sevilha como Cadiz tornam-se importantes núcleos de Soleáres.

ópera flamenca

(1910-1955)

Foi a primeira tentativa de massificação do Flamenco. Nesse período predominavam os espetáculos formados por cartéis de artistas que, em suas turnês, apresentavam em locais que comportavam uma grande audiência, como as praças de touros, a preços populares. Estes espetáculos rebaixaram a qualidade do cante Flamenco, valorizando os cantes por fandangos e os cantes de ida e volta dominavam o panorama. Foi quando o baile passou a se configurar como formação teatral, do mesmo modo que as companhias de ballet.
Os intelectuais marcaram presença no grande concurso de cante de Granada.

renascimento

(1955-1985)

Uma série de acontecimentos levaram a uma revalorização do flamenco, muito degradado na época operística. É o auge dos tablados, surgem as primeiras Antologias discográficas e são publicados livros de interesse. Os concursos reaparecem com força total.
Antonio Mairena ganha a terceira chave de ouro em concurso de cante e inicia um movimento de divulgação e dignificação do Flamenco.

uma nova era

(1985 até hoje)

A partir de 1985, percebem-se novos ares, e a com a influência revolucionária da guitarra de Paco de Lucia, o Flamenco se contagia de outras músicas e passa a incluir novos instrumentos em sua execução, como o piano, o sax , a flauta , o baixo, entre outros.
Surgem os grupos Ketama e Pata Negra que, entre outros, trazem todo tipo de inovação e experimentação para o Flamenco.
Enrique Morente é considerado um dos mais influentes inovadores desse período que continua até os dias de hoje.




"El Arte Flamenco nó és excesivamente viejo, lo parece pero no és...."
"En el eje Sevilla, Jerez y Cadiz, los gitanos encontraron lugares donde asentarse y renunciar a su secular nomadismo".
"El Flamenco primitivo, el arte gitano puro, que aún permanecia desarrollandose en el cerrado circulo caló sevillano gaditano, no se aventura a valerse de un soporte musical, el de la guitarra, hasta que se abren los primeros cafés cantantes, és decir, cuando el Flamenco sale yá del anonimato."
"El cante flamenco és una expresión musical que arrastra una mezcolanza tal de voces que ni es paya, ni gitana, ni morisca, ni andaluza. Ninguno de estos pueblos tiene la primacía o monopolio del flamenco."
Angel Alvarez Caballero

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O Flamenco: palos
por Andressa Rocha

ACEITUNERAS:
Cante andaluz muito antigo usado na colheita de azeitonas.
ALBOREÁ:
Cante Flamenco. Pertence ao grupo dos cantes influenciados pela Soleá. Comum nos casamentos de ritual “gitano”, com letras dedicadas a exaltar a virgindade da noiva, a virtude feminina mais cuidada.
http://www.youtube.com/watch?v=kykJ3JrFA58
ALEGRÍAS:
Cante e baile flamencos de compasso misto. Próprio de Cádiz. São toques por Alegrias: Caracoles, Romeras, Cantiñas, Rosas, Mirabás. É a mais difícil e genuína de todas as danças andaluzas.
http://www.youtube.com/watch?v=xxfwm9N1L_4&feature=related
ARRIERAS:
Cante de acompanhamento ao trabalho no campo. Tem grande semelhança com a tona e se canta também sem acompanhamento.
BAMBERAS:
Cante de origem puramente campestre, que não tem compasso, que se canta sem guitarra e não se baila. Sua copla é de quatro versos octasílabos, ainda que algumas vezes segue um esquema diferente. É um estilo folclórico aflamencado.
http://www.youtube.com/watch?v=9AboTlXzP18
BANDOLÁS:
Fandango abandolao próprio da serra malagueña e uma das mais antigas que se conhecem. Seu nome poderia proceder do instrumento com o qual é acompanhada, o bandolim.
BULERÍAS:
Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo. Admite todo tipo de improvisação É o estilo mais flexível, rítmico e vibrante em todo o flamenco, mas é um dos bailes mais difíceis de dominar, porque é essencial ter muita graça e ritmo.
http://www.youtube.com/watch?v=zc2TH0vkCcM&feature=related
CABALES :
Estilo especial de arremate das seguiriyas com coplas de quatro versos octasílabos, sobre tons maiores.
CALESERA:
Cante atribuído aos condutores de carruagens.
CAMPANILLEROS:
Único cante que se pode cantar em coro. Sua copla é de 6 versos. É um cante aflamencado que se originou de canções religiosas andaluzas que eram entoadas no Rosário de la Aurora.
CANASTERAS:
Este cante é uma criação de Camarón de La Isla e de Paco de Lucía. É um cante novo, recém inventado, parecido com a estrutura dos fandangos, mas não se confirmou entre os cantes, sobrando apenas duas gravações como referência.
CANTES DE IDA Y VUELTA:
Expressão que designa o conjunto de estilos aflamencados, em especial em Cádiz e Málaga, procedentes do folclore hispano americano. Também fazem parte deste grupo a Milonga, a Vidalita, a Rumba, a Colombiana e a Guajira. A expressão “Ida y Vuelta” surgiu devido a uma crença antiga de que estes estilos chegaram à America pelos emigrantes espanhóis, na época das grandes navegações. Na America teriam sofrido variações e com o regresso à Espanha ganharam características mais próximas às suas expressões atuais. Hoje, acredita-se que seu surgimento é exclusivamente proveniente do Novo Mundo (América).
CANTIÑAS:
Cantes próprios de Cádiz, de compasso misto, rápido e alegre, entre os quais se destacam: As próprias Cantiñas, Caracoles, Mirabrás, Alegrias, e Romeras.
CAÑA:
Também muito ligadas às Soleares, é uma das formas mais antigas do Flamenco, e uma das mais puras e bonitas. Cante duro, forte, triste e melancólico. Difícil de cantar e não é bailado.
CARACOLES:
Cante de origem andaluz aflamencado do grupo das Cantiñas de Cádiz. É um baile mais adequado para a mulher por ter muitos movimentos ondulados.
http://www.youtube.com/watch?v=NX7YiBX8P8Qwww.youtube.com/watch
CARCELERAS:
Cante gitano primitivo do grupo das Tonás. É interpretada sem guitarra (a palo seco). A copla é de quatro versos octossílabos. É um cante desolado, patético que evoca o tema carcerário.
CARTAGENERA:
Cante flamenco do grupo dos Cantes de Levante, de execução livre. Não se baila e é o mais moderno dos cantes de Levante.
CHUFLAS:
Cante típico e genuinamente gaditano, das bagunças da rua, das festas populares, usadas para dar humor aos contratempos do povo, Tem tom engraçado em suas letras.
COLOMBIANAS:
Cante flamenco do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Seu compasso tem influencias da guajira e da rumba cubana.
CORRIDOS GITANOS:
Modalidade mais antiga que deu origem as Tonás. É um cante sem acompanhamento musical, que procede dos romances populares andaluzes.
DEBLA:
Cante misterioso de invocação, sem acompanhamento de guitarra. Canção popular andaluza.
FANDANGO:
Cante flamenco procedente do folclore, sem compasso fixo, que fazem com que o guitarrista tenha que seguir bem de perto o cantor, com muitas formas e variações como os Fandangos de Huelva, Fandangos de Lucena y de Cabra, Fandangos Mineros e Fandanguillo, em toda Andaluzia. Cante chico.
http://www.youtube.com/watch?v=kKWO75WyUPcwww.youtube.com/watch
FARRUCA:
É um toque que chega ao flamenco procedente da Galícia, do folclore galego, que utiliza a estrutura do tanguillo e que se executa sobre os tons menores. Alguns autores o consideram um dos Cantes de Ida Y Vuelta. Uma espetacular forma de dança, originalmente masculina. Uma das mais recentes formas no flamenco. Nunca é cantada quando tocada no idioma flamenco puro. Como dança ou solo de guitarra, é uma peça muito dramática. No baile, sobressai o sapateado, colocando a prova o virtuosismo de muitos bailaores.
http://www.youtube.com/watch?v=3ozQN7nI0OU
GARROTÍN:
Cante de origem folclórico, incerto, que se aflamencou. É um baile de gitanos, não andaluz que foi incluído no repertório flamenco. É um cante festeiro que tem alguma semelhança com o ritmo dos tangos flamencos. Suas letras são ingênuas e superficiais, destacando o uso repetido do refrão que é cantado incessantemente.
http://www.youtube.com/watch?v=GnzQo-PaCHo
GRANAÍNA:
Cante de Levante a partir do aflamencamento de um fandango regional. De execução livre, é costume arrematá-lo com a Media Granaína. Suas letras tem uma excessiva carga sentimental e sua música se apóia na ornamentação.
GUAJIRA:
Cante aflamencado com influência do folclore e ritmos cubano, pertence ao grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Na década de trinta e quarenta estiveram muito na moda e acompanhavam um baile de mesmo nome, hoje desaparecido. A temática de suas letras é de ambiente cubano, geralmente de forma superficial. Ritmo alegre semelhante a outros aspectos do flamenco influenciados pelo Novo Mundo.
JABEGOTES:
Também conhecido como cante das cinzas, é um cante abandolao, próprio da costa marinha. Está quase em desuso.
JABERA:
Cante flamenco do grupo dos Cantes Abandolaos (Cantes de Málaga). Pode-se enquadrar este cante ao grupo dos fandangos malagueños, que se cantam sem compás, dando ao intérprete a máxima possibilidade de recorrer a todos os floreios e ornamentações vocais, o que exige dele o seu máximo para executá-lo.
JALEO:
É a bulería praticada em Extremadura, com ritmos monótono e bailáveis. Foi muito utilizada por muitos guitarristas para seus concertos.
LEVANTICA:
Modalidade de taranta tipicamente cartagenera, que tem uma caída em tons menores. Foi exaltada pela voz peculiar de Pencho Cros.
LIVIANAS:
Cante flamenco do grupo das seguiriyas. Com temas campestres, apareceu no ambiente flamenco em meados do séc. XIX, e seu canto era feito sem o acompanhamento de guitarra.
LORQUEÑAS:
Na realidade não se trata de um “palo” propriamente dito, pois a lorqueña se apóia, em geral, na bulería. Compostas por Federico García Lorca, essas canções aflamencadas foram interpretadas por La Argentinita, com muita repercussão a copla denominada “Em El Café de Chinitas”.
MALAGUEÑAS:
Cante flamenco livre próprio da região de Málaga, sem compasso específico, interpretada e não dançada, descendente da família dos Fandangos Grandes. Cante muito compassado, melodioso e solene.
http://www.youtube.com/watch?v=v496vBwbfhk
MARIANAS:
Cante flamenco que se origina do aflamencamento de uma canção folclórica andaluza. Compasso semelhante ao dos Tientos. Não se baila.
MARTINETE:
Cante flamenco do grupo das Tonás (a palo seco). Cante livre, sem compás, de um lamento tristíssimo, cantada pelos ciganos no forge, que pode levar o acompanhamento de ” yunque y martillo” (bigorna e martelo). A música soa como se o único instrumento fosse o martelo acompanhando o cantor.
http://www.youtube.com/watch?v=W414clOKWhE
MEDIA GRANAÍNA:
Pertence ao grupo dos cantes de Levante, mais sonora e com mais recursos, cante que não se baila.
MILONGA:
Cante aflamencado do folclore argentino de origem hispano-americana, do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Esteve muito em moda na Espanha entre os anos vinte e quarenta. Não se baila.
MINERA:
Cante com copla de quatro ou cinco versos octossílabos, que provavelmente apareceram nos meados do séc. XIX. Pertence ao grupo dos Cantes de Levante e dentro dele, como seu nome indica, pertence aos chamados Cantes de las Minas, com uma modulação tão definida e marcada como a da Taranta. Sua vertente mais conhecida é a das Minas de La Unión, em Murcia. Não se baila.
MIRABRÁS:
Cante flamenco do grupo das Cantiñas de Cádiz. Cante festeiro, próprio para bailar, vivaz e vibrante. A guitarra o acompanha com igual vivacidade.
MURCIANA:
Cante com copla de quatro ou cinco versos octosílabos que pertencem ao grupo de Levante. Suas raízes vem da zona de Cartagena (Murcia), e tem um importante reflexo na província de Almería.
NANA:
Típica canção empregada para fazer os filhos dormirem. Cante livre que não se ajusta a uma dimensão métrica estável. Não é acompanhada de guitarra e também não se baila. Não é um autêntico cante flamenco, mas simplesmente uma canção folclórica que pode adotar ecos flamencos colaborando com quem o cante.
PETENERA:
Cante flamenco, provavelmente oriundo de Paterna de La Rivera (Cádiz). Canto derivado do folclore andaluz.. Tem som pausado, arrogante, majestoso e sensual com acompanhamento de castanholas ou palmas com ares de tragédia e da força do destino. Este cante está envolto a uma misteriosa lenda cheia de superstição ao ponto de que alguns artistas se neguem a interpretá-lo.
http://www.youtube.com/watch?v=f67igtrSZLE
http://www.youtube.com/watch?v=orI-PB8W7pk
http://www.youtube.com/watch?v=UtLbQHQtRF8
POLO:
Cante flamenco muito antigo, próximo da Caña. Derivada da família das Soleares.
ROAS:
Cante de origem gitano no qual um grupo de homens e mulheres dispostos em uma roda celebram um ritual com tons religiosos. A roda gira no ritmo dos pandeiros e do cante. É um cante folclórico, muito parecido com a zambra.
ROMANCE:
Cante. Chamado também de corrido ou corrida, se originou de uma entonação especial dos romances populares andaluzes. É interpretado sem acompanhamento, e por isso é considerado por muitos o estilo mais primitivo do flamenco, fonte e manancial de todos os outros estilos de onde procederam as Tonás. Existe uma variante criada por Antonio Mairena ao compasso de Soleá por Bulerias.
ROMERA:
Cante flamenco festeiro do grupo das Cantiñas de Cádiz. Tem o mesmo compasso das Alegrias e apropriado para bailar.
RONDEÑA:
Cante flamenco do grupo dos Cantes Abandolaos (Málaga). Outra forma livre do flamenco. É o mais velho fandango malagueño conhecido e cantado.
http://www.youtube.com/watch?v=XL4UPuZaqyM
ROSAS:
Cante praticamente em desuso. É um cante com copla de quatro versos, do grupo das cantiñas, muito parecido com as Alegrias, provavelmente nasceu em Salúcar de Barrameda.
RUMBAS:
Cante aflamencado do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Novamente outra forma livre no flamenco influenciado pelos ritmos do Novo Mundo. Muito popular em todo tipo de festa por ser extremamente sensual e alegremente contagioso e é um dos bailes preferidos da juventude.
http://www.youtube.com/watch?v=il8YWQYQSdE
SAETAS:
Estrofe de ritmo flamenco sobre temas sacros que uma só pessoa canta sem acompanhamento musical em eventos religiosos, especialmente durante as procissões da Semana Santa. Repetidamente se diz que o flamenco é uma oração; a Saeta é uma boa mostra disso. Não se baila.
SEGUIRIYA:
Cante flamenco, trágico, sombrio, dolorido e triste, que a princípio levava o nome de Playera. São os chamados cantos profundos do flamenco. É um dos bailes mais difíceis do flamenco, por causa do caráter do seu compasso, marcado lentamente, e ao estado de espírito emotivo que carrega.
http://www.youtube.com/watch?v=0T8n7X7c6E4
SERRANAS:
Cante flamenco no mesmo grupo das Seguiriyas, porém tocada diferente, com um cante que alude o campo e a serra, melodioso e solene.44
http://www.youtube.com/watch?v=Tk8sex4Qq4g
SEVILLANAS:
Cante e baile folclórico aflamencados de origem andaluza. O baile por sevillanas é vivo e ágil, dinâmico, alegre e variado, com passos diferenciados e precisos, com fins marcados em que a música e o baile acabam simultaneamente deixando os bailarinos imóveis, adotando expressões triunfais e provocativas. O baile é executado em pares formados por homens e mulheres ou tão somente por mulheres. Cada sevillana é dividida em quatro partes, a saber: primeira, segunda, terceira e quarta.
http://www.youtube.com/watch?v=SzvYvkJPUrQ
http://www.youtube.com/watch?v=ll2NlPGARMc
http://www.youtube.com/watch?v=Sjn9jgsCERw
http://www.youtube.com/watch?v=zLURc1nrYZs
http://www.youtube.com/watch?v=DIv5e2OE_QA (aprendendo parte 1)
http://www.youtube.com/watch?v=0lvWYD5G40w (aprendendo parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=NEw6ZYBQNB8 (aprendendo parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=OJFWMhdthi0 (aprendendo parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=_BvlraEq6ZU
SOLEARES:
No singular, Soleá. Cante flamenco com compasso misto. Possui muitas variantes. Chamada mãe do flamenco, também é um tipo de cante jondo. Sua origem pode estar no séc. XIX, como cante que acompanha a um baile chamado jaleo. Contudo, pouco a pouco foi se convertendo em um cante com identidade própria. Representa com legitimidade a instituição artística dos ciganos. É um dos palos mais ricos do flamenco na atualidade, é executado no compasso ¾ e os cantores profissionais praticam as soleares, com suas variedades e complexidade para agradar aos bons aficionados do flamenco. O baile por Soleá resulta suntuoso e é especialmente apropriado para a mulher pelos muitos movimentos ondulados dos quadris e dos braços garbosos.
http://www.youtube.com/watch?v=QmUMxZkfqvY
http://www.youtube.com/watch?v=0WyLmhv_xb8
TANGOS:
Cante flamenco ao compasso de 4/4 bem marcado, rítmico e alegre. De origem desconhecida, são um dos mais antigos e básicos cantes ciganos. Estilo de dança, música e canto chamado chico, leve. Constituem um ritmo bastante rico e versátil. Como regra comum, o quaternário bem marcado entre o cante usualmente alegre e festeiro é o mais utilizado.
http://www.youtube.com/watch?v=HeMzkT3P2Kc
http://www.youtube.com/watch?v=9HVa8BNTusY
http://www.youtube.com/watch?v=GgG8GocF7H0
TANGUILLO:
Tango de Carnaval ou Tango de Cádiz. Compasso de 4/4. Estilo de dança e música derivado da mistura do tango com a rumba. É um cante muito gracioso, cheia de graça, airoso. O acompanhamento da guitarra é muito vivo e o baile cheio de sutilezas e improvisações garbosas.
http://www.youtube.com/watch?v=vp1rNOFZCzM
http://www.youtube.com/watch?v=ka2ALMI6D00
http://www.youtube.com/watch?v=ra5RWI4tymw
TARANTAS:
Cante flamenco do grupo dos Cantes de Levante ou de Las Minas. Mais um estilo livre no flamenco. É um cante duro, seco, quase áspero, acompanhado de guitarra e não se baila, se escuta.
TARANTOS:
Cante flamenco que pertence ao grupo dos Cantes de Levante. Compasso 4/4. Muito semelhante a Taranta se difere apenas pelo toque da guitarra que o acompanha. O taranto é a forma bailável das tarantas, o baile é majestoso e profundo, com grandes possibilidades de expressão.
http://www.youtube.com/watch?v=YbVO8SKdyPk
http://www.youtube.com/watch?v=rrJdHrOyTxs


TEMPORERAS:
Cante flamenco que se executava nas terras baixas da Andalucía nas épocas de colheita. Cante a palo seco, sem acompanhamento de guitarra.
TIENTOS:
Cante jondo, derivado dos tangos. Com copla de 4 versos octossílabos, seguidos geralmente por um ou vários estribilhos de 3 versos, de medida uniforme. São conhecidos desde a metade deste século, atribuídos a Enrique el Mellizo e divulgados por Manuel Torre. Procede dos Tangos e tem o compasso igual a este, ainda que mais lento, solene, sensual e complicado. Em Cádiz era chamado Tango Tiento, ou seja tango lento. Mais tarde em Sevilla, a expressão se reduziu a Tientos. É um cante bailável, com letras sentimentais e comoventes. Pode ser tão profundo, quanto o seu intérprete desejar, enquanto seus movimentos e sua graça nunca permitirão que seja um baile triste.
http://www.youtube.com/watch?v=AUc_IwuGLco
TONÁS:
Cante flamenco fundamental, o mais primitivo dos conhecidos hoje e verdadeiro tronco originário de todos os outros. É cantado sem guitarra, pertence ao grupo dos Martinetes, Deblas, Carceleras. Música “básica” no flamenco, a mais antiga conhecida. Sua música, sustentada exclusivamente pela voz, é triste e patética, transmitindo com desolação e abatimento o sombrio mundo que apresenta suas letras.
TRILLERAS:
Cante flamenco de origem Andaluza, que se cantava nos trabalhos no campo. Também chamado Cantes de Trilha. Muito difundido na zona de Jerez.
VERDIALES:
Cante flamenco aparentado com o folclore, pertence ao grupo dos Abandolaos. É um fandango regional pertencente ao grupo das malagueñas. São cantados e bailados com som da guitarra, com acompanhamento freqüente de violinos, pandeiros, e castanholas. Usa-se os “pitos” para marcar os compassos. Os verdiales são a mostra mais antiga da música popular malagueña.
http://www.youtube.com/watch?v=cypd9KHj4D4
VIDALITA:
Cante aflamencado, mas pouco flamenca na realidade, tem caráter triste e melancólico, com temas amorosos, que fala quase sempre de desilusões, frustrações. O significado de seu nome seria ¡Oh vida!, ¡Vidita!. É também chamado de cante de ida y vuelta.
VILLANCICO:
Cante flamenco de tema religioso que fala sobre temas natalinos. É um cante vivo, alegre, que transmite mensagem de esperança e que pertence aos grupos dos cantes folclóricos andaluzes aflamencados. Hoje se canta ao som de bulerías.
ZAMBRA:
Festa mourisca com música, alegria e algazarra. Posteriormente, festa dos gitanos andaluzes. Ainda hoje se cultiva a Zambra Granadina, nas Cuevas Del Sacromonte, formada por três bailes de Caráter Mínimo: la Alboreá, la Cachucha, e la Mosca, que simbolizam três momentos da boda gitana. Esta mímica, refletida na dança, pretende preservar uma antiga tradição do baile. São as juergas flamencas que os ciganos fazem em suas casas.
http://www.youtube.com/watch?v=gOZFwSkbkEM
http://www.youtube.com/watch?v=iwUeaxoEwGw
ZÁNGANO DE PUENTE GENIL:
É um estilo de fandango abandolao procedente de uma antiga modalidade folclórica da zona de Puente Genil. Cante muito difundido nos últimos tempos por Fosforito.
ZAPATEADO:
Baile. Consiste em um baile sóbrio de grande presença flamenca, que surge a meados do séc. XIX. É uma combinação rítmica de sons executados com a planta, salto e ponta do pé, e é interpretado por homens. Quando dançado por mulheres, estas usam traje masculino. Atualmente o Zapateado flamenco se intercala na maioria dos estilos, tanto por homens como por mulheres, muitas vezes ficando a guitarra em silêncio, para ressurgir junto com os demais elementos de acompanhamento no momento de sua maior intensidade ou arremate. Sapateado bastante elaborado, com velocidade, alternando um ritmo mais lento, sendo que logo após acelera-se novamente.
ZARABANDA:
Cante abandolao que foi gravado por El Niño Del Genil em 1911, na qual se destacou a interpretação de La Rubia de Las Perlas. Está quase em desuso.
ZORONGO:
Baile interpretado ao compasso de um tango lento, com um cante calmo, tranqüilo. O zorongo foi um típico baile americanos de negros, com grande sucesso em teatros, escolas de baile, festas realizadas na época romântica que já caiu em desuso. Contudo, os gitanos começaram a cultivá-lo no princípio do séc. XX, transformando-o em um palo próprio do repertório de muitos bailaores e guitarristas.

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O Flamenco: etimologia da palavra

por Andressa Rocha
1. Cuchillo , faca: Nome de um tipo de faca baseado no sainete “El soldado fanfarrón” escrito por González del Castillo no século XVIII: “O militar, que sacou para meu marido, um flamenco”.
2. Arte do cante e do baile da Andaluzia *gitana.  Dicionário Señas da Língua Espanhola para Brasileiros, pg. 580
3. Ave de quase um metro de altura, com a cabeça, as costas e o rabo rosa  com as patas e pescoço compridos. Essa se deve a Rodríguez Marín que justificou que os cantaores se vestiam com jaquetas curtas, e eram altos e quebrados de cintura, por isso que pareciam um flamingo.
4- Pertencente ou relativo à antiga região de Flandes (Norte da Bélgica). Teoria provinda de Hipólito Rossy e Carlos Almendro que afirmaram que Flamenco se deve a música polifônica da Espanha, que no século XVI teve muita influência da música dos Países Baixos, como Flandes.
E o viajante George Borrow y Hugo Schuchard diziam que os gitanos eram de procedência germânica, o que explica que se poderia chamá-los de flamencos.
5- Camponês fugitivo ou nômade do termo árabe “Felah-Mengus” segundo o padre Blas Infante em seu livro “Orígenes de lo Flamenco”, reforçando as reminiscências árabes do flamenco e as conotações desta arte com o Oriente.
6- Fanfarrão -  de acordo com García Matos. No século XVIII, se apelidava de flamenco todos que se comportavam de forma ostentosa e fanfarrona.
7- Gachós ou andaluzes, nome dado por Antônio Machado ou Demófilo, seu pseudônimo, aos gitanos -  quais correspondem com a denominação flamencos.

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O Flamenco: aspectos históricos e origens

por Andressa Rocha
Segundo Luiz López Ruiz, não há como falar em Flamenco, sem citar previamente o povo gitano que procede de um dos principais países do subcontinente indiano do norte, hoje o Paquistão, sendo portanto, hindus. Iniciam sua trajetória em meio à guerra, fome e perseguição no século IX.
“Com o passar dos anos essa cultura foi se impondo de novo, renascendo, porque como aponta Félix Grande, o orgulho dos humilhados sobrevive o orgulho dos poderosos”.
As últimas pesquisas realizadas por estudiosos e cátedras de flamencologia na Espanha, ainda segundo Ruiz, constataram que a peregrinação dos gitanos continuou por cruzar o Afeganistão, Pérsia, Armênia, limiar do Mar Negro, Turquia e toda a faixa do sul de Europa passando pela Grã Bretanha e Espanha, penetrando na Europa no século XIV. Processo lento e dificultoso, onde sofreram grandes penalidades, perseguições, e foram mal recebidos. Na Espanha, chegam no século XV:
“Com respeito à Espanha, que é o que agora nos interessa – a mais antiga prova documental escrita com que contamos é de 1425. É uma concessão emitida pelo Magnânimo rei Alfonso V, autorizando a entrada de um grupo de gitanos em Janeiro desse ano. [...]. Outro documento testemunhal informa-nos de que chegaram a Andaluzia concretamente em Jaén, em 1462. Lá encontraram uma terra e uma atmosfera adequada para assentar-se”.
Diferente de outros pontos da Europa, o espírito mistura de culturas, já que por séculos a Andaluzia já havia sido invadida por vários povos: fenícios, gregos, romanos e visigodos. Também árabes, judeus, cristãos e ainda afro-americanos. Gente que foi perseguia pela inquisição, fugitivos do desterro ou clandestinos.
“A pureza do flamenco é fruto da decantação de sua longa história de “impurezas”, uma memória que se concretiza no último século e meio, mas que tem raízes muito antigas”. José Manuel Gamboa
Importante ressaltar que ainda hoje nas cidades como Granada, Sevilla, Jerez de La Frontera, Córdoba, Huelva, Almería, Málaga, Cádiz e Jáen notamos claramente a influência desses povos, principalmente na arquitetura.Por exemplo, a Alhambra em Granada, último palácio árabe construído no ano de 1231, sob o reinado muçulmano de Mohammed I que prosperou 20 gerações e depois derrubados pelos reis católicos – Fernando e Isabel – em 1492. Logo se apropriaram do palácio por muito tempo. Ou os Reales Alcázares de Sevilla que são um complexo palaciano formado por várias construções de diferentes épocas. A fortificação original foi construída sobre um antigo assentamento romano, e mais tarde visigodo. Posteriormente passou a ser uma basílica paleocristã (São Vicente Mártir), onde foi enterrado São Isidoro.
“Em um exercício rápido da imaginação nós poderíamos ser transferidos até Espanha árabe, porque as modulações e os melismas que definem o gênero do flamenco podem vir dos cantos monocórdios Islâmicos. Na Espanha entraram no começo do século XV, procurando climas mais quentes do que haviam encontrado nos restante do continente. Também não se pode esquecer dos legados musicais deixados pelos parentes andaluzes no Sul da Espanha, como o sistema musical judeu e melodias salmodias, os modos jônicos e frígio inspirados no canto bizantino, os antigos sistemas musicais Hindus, as canções muçulmanas e as canções populares dos mozárabes (Cristãos que conviviam com árabes em zonas árabes). ”
Manuel Macías
Outra teoria sobre a origem dos gitanos, é que entraram na Península do Sul, procedente do Reino do Marrocos, talvez da cidade de Tánger ou “Tingis”, cujos habitantes eram denominados tingitanos, de onde teria provindo o termo gitano,os quais como falamos, viviam.
Há outra teoria sobre a relação dos gitanos com o Egito e a associação com o termo “egiptno”, porém nem mesmo as instituições lingüísticas concordam com o fato.De outro ponto de vista, José Maria Esteban diz que em foi em 1499, de acordo com a lei de Medina del Campo, assentou os gitanos e sua forma de viver: acompanhados da música, cerimônias, exaltações e seus lamentos.

http://flamencobrasil.com.br/2008/04/o-flamenco/

O que é flamenco?

por Andressa Rocha
O Flamenco nasceu da mistura de povos nômades e está arraigado nas manifestações folclóricas de vários povos que ao passar pelo crivo de gargantas pontuais se transformou em uma arte indiscutível e forte. Uma arte que comunica através das mãos que deslizam pela guitarra espanhola construindo melodias fortes, alegres, tristes, revoltas e proporciona aos ouvidos uma viagem aos primórdios de nosso interior.
Flamenco é arte que comunica através do corpo empregando mãos, expressões faciais marcantes e os pés acompanhados por passos de um marcante sapateado. É o corpo reagir ao som da guitarra ou à letra do cante que personifica a dor, o abandono, solidão, desprezo, as alegrias, o amor, o desejo. A força dessa arte também está na forma com que sintetiza música, cante e dança em um mesmo momento com relevante carga emocional e excelência.
Segundo a espanhola e andaluza Cristina Hoyos, uma das principais bailaoras, coreógrafas e atrizes que teve atuação em quase todo o mundo, Flamenco é “ uma mescla maravilhosa de todas as culturas que passaram pela Andaluzia que nos deixou suas marcas e que aqui se hão dado forma. A mistura é sempre boa e tudo o que há passado por esta terra se há criado algo maravilhoso chamado Flamenco.”
O flamencólogo Manuel Ríos Ruiz publicou em 1988 o Dicionário Ilustrado do Flamenco e tem a seguinte definição de “Arte Flamenco”:
“Considera-se que o cante, baile e toque da guitarra flamenca constituem em seu conjunto, uma arte. Seus estilos, criados sobre bases folclóricas, canções e romances andaluzes hão ultrapassado valores populares, alcançando uma dimensão musical superior, cuja interpretação requer faculdades artísticas de todas as ordens. Ainda que o flamenco, cante, baile e toque, mantenha um sentido estético sumariamente popular e próprio do povo andaluz.
Suas manifestações se tornaram autênticas expressões artísticas, totalmente diferenciadas das originárias de um histórico folclórico, através das composições anônimas e pessoais que fizeram do flamenco algo estruturado e evoluído estilisticamente. Sem deixar de ser música e poesia de raiz popular, pode-se dizer, segunda a opinião da maioria dos estudiosos, que o flamenco é um folclore elevado à arte, tanto por suas dificuldades interpretativas como por sua concepção e formas musicais.”

http://flamencobrasil.com.br/2008/04/o-que-e-flamenco/


Mais que dança, cultura

por Marilyn Mafra

O flamenco não é apenas uma dança, é uma arte – surgida em Andaluzia – que envolve dança, violão, percussão e principalmente o cante. Foi através do cante que os ciganos perseguidos por seu modo de vida se expressaram e, como acompanhamento deste, surgem as palmas e posteriormente o baile.
A profissionalização desta arte ocorreu nos primeiros cafés cantantes, hoje tablados; outro impulso foi o ensino do baile em escolas, sistematizando o que antes era transmitido de geração em geração, em ambiente familiar. Assim, se tornou mais acessível na Espanha e no mundo.
Quanto mais evolui, mais elementos são introduzidos nessa arte: guitarra, cajón, flauta, piano e outros; o que, de certo modo, pode significar perda de características, dando lugar às fusões. O mesmo acontece com a dança: quanto mais surgem novas formas de fazer, mais mesclas aparecem, como a forte influência do contemporâneo e até do ballet clássico. O flamenco como toda arte, nunca pára no tempo. Atualmente, busca-se a volta ao passado, a releitura de movimentos dos bailaores antigos para adquirir linguagem contemporânea com aires tradicionais. Evoluir sem esquecer as raízes é a tendência.
Essa tríade baile-cante-guitarra, fora da Espanha, tem dificuldade de se desenvolver. Um dos motivos é a falta de formação de músicos flamencos (pela escassez de cursos de aperfeiçoamento no Brasil). Assim, muitos profissionais do baile ficam limitados ao trabalharem com música mecânica, pois as mídias gravadas geralmente são para audição e não têm, em geral, uma estrutura para montar baile. Para isto, é necessário não só entender as letras, mas compreender a estrutura onde se executam as marcajes*; a llamada*; os remates*; a escobilla* e etc. Ou seja, sem cante e guitarra presentes, o baile flamenco perde parte de seu sentido e sua autenticidade.
Glossário: * Marcaje (Marcação): Determina a ação de marcar. É utilizada para marcar a letra do cante. * Llamada (Chamada): Determina a ação de chamar. Se utiliza como sinal para que o cantaor comece a cantar. * Remate (Arremate): Determina a ação de arrematar (enfatizar) um movimento ou uma combinação de movimentos. É utilizado para dar ênfase à queda do cante, nos momentos em que o cantaor respira e para finalizar uma seqüência de passos. Está constituído de diferentes e expressivos movimentos que incluem fortes sons de pés. * Escobilla (Sapateado): Parte do baile dedicada ao sapateado.
http://flamencobrasil.com.br/2008/01/mais-que-danca-cultura/

O Flamenco: cantepor Andressa Rocha

Mais do que um símbolo musical da multimilenária cultura andaluza, o cante jondo («canto fundo»), tal como o seu epíteto indica, exprime – através de uma ambiência sonora cristalizada ao longo de séculos e assimilada na escrita pianística de um Albéniz ou de um Granados – o que de mais profundo encerra o espírito popular.
Cúmplice das penas e das alegrias do seu povo, o cantaor esconjura com «voz de sangre», através das sentidas letras e dos longos e dolorosos melismas, como num ritual, as angústias que lhe assaltam a alma, crendo que quem o escuta comungará, por empatia, da sua dor e que esta será, assim, mitigada.
A importância do cante na cultura flamenca, todavia, não se esgota no carácter confessório da interpretação. Possuído pelo duende, esse “espíritu oculto de la dolorida España” (Lorca: I, 1067), o cantaor percorre os recônditos meandros do inconsciente colectivo. Obedecendo a cânones há muito estabelecidos, não só constrói uma representação de si próprio e do seu povo ­ o que é, de certo modo, revelador da propensão dos andaluzes, como sustenta Ortega y Gasset, para um certo «narcisismo colectivo» (Ortega y Gasset, 1961: 112) ­, mas também invoca por via de imagens atávicas os mistérios das antiquíssimas religiões que outrora fecundaram o imaginário andaluz.
Na realidade, os estudiosos da matéria da Andaluzia, como J. M. Caballero Bonald, D. E. Pohren, J. Caro Baroja ou Fernando Quiñones, são unânimes em considerar que o cante encarna a permanente demanda de uma obscura e inefável essência destilada pela antiguidade das suas raízes culturais.
Apesar da relativa escassez de vestígios arqueológicos sobre Tartesso ­­­– mítico reino de Gérion e de Argantónio que terá germinado no Sudoeste peninsular em finais da Idade do Bronze (de 2000 a. C. a 700 a. C.) e prosperado posteriormente na primeira Idade do Ferro (séculos VIII‑VI a. C.) – muitos são os que crêem ver nele, e nos contactos estabelecidos com o resto do mundo mediterrânico, o berço civilizacional de uma Andaluzia ávida por festejar a sacralidade da vida, ansiando, simultaneamente, por habitar o sombrio labirinto da morte.
Não obstante a miscigenação (ou mezcla, como se lhe referiu o poeta Félix Grande) de povos que viriam posteriormente a ocupá‑la (gregos, cartagineses, romanos, vândalos, muçulmanos, judeus e ciganos), a Andaluzia saberia edificar, a partir da integração de materiais heterogéneos, a sua própria identidade espiritual, marcadamente distinta daqueloutras das restantes regiões hispânicas. O cante jondo, apesar de ser fruto desse hibridismo (a nível musical, as influências orientais, particularmente a árabe, a semita e a cigana, são notórias), soube reter tal prístina ânsia dionisíaca.
É esta natureza ao mesmo tempo pagã, primeva e intuitiva do cante que cativou a atenção de poetas e músicos. Um desses poetas, Federico García Lorca, figura de estatura ímpar no panorama literário espanhol do século XX, soube operar uma ruptura com a visão meramente folclorista do flamenco partilhada por alguns dos seus conterrâneos – nomeadamente Melchor de Palau, Salvador Ruedas e Manuel Machado, que em 1912 publicara um livro de coplas intitulado, justamente, Cante Jondo. A relação de Lorca com o «andaluzismo» não se cinge a um manusear curioso dos elementos castiços e potencialmente poéticos da cultura andaluza. Pelo contrário, a sinceridade da escrita lorquiana, a sedução incontida, obsessiva até, pelos temas e imagens da Andaluzia mítica e onírica trai a sua total identificação com o espírito a que aludimos. A somar a isso, ligam‑no estreitos laços ao mundo do café cantante onde aprenderá a partilhar, ao lado de cantaores, bailores e tocaores, dos verdadeiros valores religiosos e estéticos contidos na arte flamenca.
Em 1922, o poeta granadino, cuja formação musical lhe permitiu aceder a um conhecimento mais aprofundado do cancioneiro espanhol, profere uma conferência ­­­– «El cante jondo: primitivo canto andaluz» ­­­– que denunciará desde logo o fascínio pelos cantares flamencos. Nela, Lorca não só ensaia um enquadramento teórico para o conjunto de poemas composto em Novembro do ano anterior (e que chegará às mãos do público apenas em 1931 sob o título Poema del Cante Jondo), como ainda procura, em certa medida, elaborar um esboço de uma teoria da arte. Baseado no credo de que as alusões atávicas do mundo tartéssio, tornadas manifestas através do duende, provavam a atemporalidade e a perenidade da arte andaluza, Lorca defenderá que o cante jondo, possuído, na sua postura extática, pelas forças ocultas do amor e da morte, revela uma realidade transcendente.
CANÇÃO; canção de gesta
Bib.:
  • A. Álvarez de Miranda: La metáfora y el mito (1963);
  • J. C. Baroja: Los pueblos de españa (1946);
  • J. M. C. Bonald: Luces y sombras del flamenco (1975);
  • De Zuleta: Cinco poetas españoles (1971);
  • F. G. Lorca: Obras completas (1973);
  • id.: Poema del Cante Jondo – Romancero Gitano (1992);
  • J. Ortega y Gasset: Obras completas (1961);
  • D. E. Pohren: Lives and Legends of Flamenco (1964);
  • Fernando Quiñones: El Flamenco: Vida y Muerte (1971);
  • E. F. Stanton: The Tragic Myth: Lorca and «Cante Jondo» (1978).
António Lopes: www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/cante_jondo.htm

http://flamencobrasil.com.br/2008/04/o-flamenco-cante/


O Flamenco: baile

por Andressa Rocha

A supremacia do baile flamenco

O baile espanhol quase se iguala ao flamenco, a máxima expressão de nossos bailes. Não se trata de um sentimento, e sim de uma técnica eminentemente pessoal.
Não é um baile de cenário, nem de grandes espaços como o castelhano, o catalão, aragonês, vasco ou galego.
Esses bailes regionais costumam ser executados quase que exclusivamente efetuando movimentos de translação ou dando graciosos passos aos que respiram um certo ar campeiro, são e ingênuo, e em geral, em grupos. Em troca, o flamenco apenas necessita de espaço.
O bailaor genuíno quase não de move do lugar, acompanhando a dança com movimentos de braços e mãos. É uma dança eminentemente plástica, solitária, que expressa intensas paixões aos que dão forte destaque.
É necessário um grande senso de ritmo e um temperamento peculiar para compenetrar-se e sentir a música. O que os flamencos chamam, com uma palavra muito profunda, estar “interao”.
Estar “interao” consiste não só em conhecer o ritmo que tem que levar em cada baile, mas saber em que momento é preciso avisar ao guitarrista, com um gesto ou um passo, as mudanças que se quer fazer, passar para as falsetas, desplantes, médios desplantes, etc.
Assim, não é raro ver como uma mesma dança, ao ser repetida a música, muda e fica diferente da anterior.
Esses bailes não contam com uma coreografia determinada, e o bailarino não improvisa tanto, como superficialmente se afirma. Ele dispõe de recursos, variações, que, como eles dizem, cabem dentro do mesmo ritmo que interpretam.
É  um erro crer que o flamenco é apenas problema de temperamento e de intuição, próprio para improvisadores, “pseudo-bailaoras/es”,  como as convulsões não admissíveis nos tablados tradicionais, e que, na realidade,  desaforaram o baile.
Soltar os cabelos como Lola Flores, não é bailar flamenco. Não bastam os alvoroços das saias, agarrar-se aos babados,  lançar os cravos dos cabelos, girar sem ritmo, nem medida, como louca.
Dizem que um braço de Malena, um movimento de suas mãos, valem por todas as voltas e revoltas que dão as “pseudo-bailaoras”. Observa-se que quando os bailarinos, com seus sapateados, saltos, velocidades, temperamento, desaforos, se afastam das linhas tradicionais, cheias de dignidade, sobriedade, estilo, plasticidade pura e completa, então, na mesma medida, perdem personalidade até confundir-se com o comum e não fazem possível o acento pessoal, tão prórpio do flamenco, qual se  permitia falar do canto de Chacón, o de Torres, o baile de La Malena, de La Macarrona…
O flamenco exige uma técnica complicada que não se pode suprir com a improvisação. Uma técnica distinta da acadêmica, de códigos e preceitos impessoais.
No flamenco, a transmissão da técnica é pessoal. Comunicam-se os segredos uns aos outros diretamente, constituindo uma arte que tem que desentranhar captando, vendo e ouvindo integralmente o que zelosamente se tem guardado desde velhos tempos.
As raízes autênticas é o único que possibilita a recriação, como sucede com todos os de entronca mente popular, onde nunca se diz duas vezes a mesma coisa de maneira idêntica.
A diferença é fundamental. No baile clássico se aprecia facilmente como, a medida que o esforço técnico é maior, a expressão vai desaparecendo, até converter ao artista em uma marionete. Em troca, o flamenco de baile de tablado, por conseguinte não popular, a técnica, ao aperfeiçoar-se, ajuda mais a expressão, porque é uma técnica pessoal.
Com um baile de cintura para baixo e outro de cintura para cima.
O vocabulário dos bailes flamencos podem resultar limitadíssimos a primeira vista, composto de transições bruscas, de sobressaltos que se assemelham ao soluço de gestos sincopados, de convulsões espasmódicas, de descargas elétricas, de impetuosidade indecifrável, que muitas vezes conserva o aspecto de uma autêntica briga.
É tal sua riqueza em improvisos, que alguns, desconsideradamente,  situam esses bailes  em um campo próximo a secreção interna. Inarticulável de um ponto de vista acadêmico, não considera capaz de colocar limites exatos à paixão.
Todo seu mundo, entretanto, é o mais puro mundo da dança; apenas sai das regiões do ritmo, sem os quais não é possível fazer dança, compassos nem melodias. O ritmo serve de veículo para a melodia, de estrutura para a harmonia, de base para todas as metamorfoses do bailarino.
E se é verdade que só o ritmo, como diz Levinson, não é arte, também é verdade que, sem ritmo, este tão pouco existe.
O flamenco é ritmo e complexo. Há nele nebulosos sentimentos escuros. O absurdo é querer fechá-lo em moldes emprestados pela Academia Nacional de Dança de Paris.
Assim como Debussy e Falla fugiram de moldes de sonatas, superando-os, nossos grandes intérpretes do flamenco estão virtualmente por cima das fábricas de danças. Sem esquecer que o ritmo do flamenco é mediterrâneo: complexo. Complexidade que explica sua riqueza.
Por outro lado, é sabido que, historicamente, a dança coral, a dança provisional, a dança orgástica, a dança em conjunto, em geral é anterior a dança do solista.
Os três elementos fundamentais das velhas danças primitivas – que sobrevivem nas danças regionais-, são: erótico, religioso e guerreiro, que são atos coletivos.
Não existem orgias solitárias, e para perder-se na êxtases   comum, é necessário uma multidão. As danças antigas, gregas e romanas, foram danças representativas, danças de artifício e representação, como foi a medieval da morte.
No mundo primitivo, quando aparece um solista, não é em virtude de sua própria personalidade, senão em  representação do gênio da tribo, do espírito, de algo que não é dele.
Pelo contrário, no baile flamenco: guitarra, sapateado, pitos e em tudo o que às vezes fazem  os membros do corpo, inclusive a língua, nariz, as unhas…, pouco vem de fora, tem como centro sua própria alma, e em uma relação que não se rompeu com o imediato natural. Sua raiz pessoal, se não crê a dança em si, tem a virtude da recriação, que é própria da arte humana, sublinhando sempre com seu “toque” pessoal tudo que se baila.
No mais profundo do flamenco, não se observa nenhuma adaptação. Não há necessidade das gesticulações teatrais. Está, inclusive, nas fronteiras de uma arte não figurativa. É dança, em sua significação abstrata, com um espírito que está tão perto do intuitivo ou instintivo como tudo o que é autenticamente pessoal, tem o sentido do corpo, do estilo e da forma que só dá o espírito.

Fonte:
  • Vicente Marrero, El enigma de España em la danza española.
  • Angel Alvarez Caballero, El baile flamenco.
http://flamencobrasil.com.br/2008/04/o-flamenco-baile/


O Flamenco: guitarra

por Andressa Rocha

Segundo os estudos realizados por diversos especialistas, pelo que tudo indica, uma das primeiras referências se encontra em “La Explicación de la guitarra”, obra publicada pelo gaditano Juan Antonio de Vargas e Gusmán em 1773.
Contudo, nesta época somente se pode falar do que posteriormente se denominaria a existência de guitarristas “por lo fino”. Realmente os primeiros aspectos de aproximação das seis cordas no flamenco chegam com figuras como as de El Murciano, Trinitário Huertas, Bernardo Troncoso, José Toboso e sobretudo, o almeriense Julián Arcas, pai de uma soleá que leva seu nome.
Nesta primeira época de guitarristas ainda situados entre o toque “por lo fino” e “por lo flamenco”, seguem os da chamada Escuela Eclética, na qual destacam-se o inventor de “la cejilla” (pestana da guitarra), o maestro Patiño de Cádiz, Antônio Peréz, de Sevilla, Paco el Barbero, de Sevilla e Paco el de Lucena de Córdoba.
A partir deste momento começam a surgir os primeiros especialistas no toque “por lo flamenco”, como Juan Gandulla Habichuela, de Cádiz, Javier Molina, de Jerez e Miguel Borrul, de Castellón.
Mas  o grande guitarrista do final do séc. XIX e princípio do séc. XX é Ramón Montoya Salazar (Madrid, 1880-1948). A ele se deve a criação para a guitarra da grande maioria dos palos flamencos e ele é considerado o primeiro revolucionário da técnica e a harmonia, até o ponto que se converteu no primeiro concertista flamenco da história.
Seu legado é aproveitado por uma geração de tocadores inigualáveis, moldando a etapa dos grandes criadores individuais. Nesta época surgem Niño Ricardo, Manolo de Huelva, Perico el de Lunar, Esteban Sanlúcar, Melchor de Marchena, Sabicas e Diego Del Gastor.
De todos eles o maior maestro de todos os tempos é Paco de Lucía, líder indiscutível da última geração de guitarristas. Junto ao Paco de Lucía destacam-se também Manolo Sanlúcar e Victor Monge Serranito, um triângulo de tocadores que revolucionaram o conceito da guitarra flamenca.
Pertencem a esta escola indiscutivelmente os novos valores do toque, como o almeriense Tomatito, o jerezano Gerardo Nuñez, o Catalán Juan Manuel Cañizares e o cordobés  Vicente Amigo.

Referência Bibliográfica:  Guia de Flamenco de Andalucía.


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