O uso de imagens
Atualmente, diante de uma realidade vivenciada por um mundo globalizado, onde tudo acontece de modo urgente e com uma velocidade estonteante, nunca vista antes na história, a imagem e seu uso está fazendo parte de nosso cotidiano de maneira quase que natural, necessária e como se fosse parte inerente da humanidade. A realidade passa a ser informada e interpretada através de imagens.
Ocorre que, com a imagem, acabamos vendo com os olhos de outros e isso pode figurar a realidade de uma maneira romantizada ou tendenciosa, visto que imagens não são cópias fiéis da realidade e sim uma representação de um certo “ espaço ” e “ tempo ”.
Assim como o significado mais profundo da vida não é de ordem material, o significado mais profundo da imagem também não é algo que está no explícito e sim em suas entrelinhas, pois uma imagem é uma interpretação do real e cada pessoa analisa o real ou a imagem de acordo com suas vivências, experiências, ideologias, filosofias, culturas, classes sociais, etc. Dessa forma, o uso de imagens pode ser colocado em discussão, pois tem vários aspectos a serem analisados. Em contra-partida, a imagem se torna fundamental em alguns momentos e como exemplo, pode-se citar uma aula de geografia, onde o assunto é relevo e o destaque é uma “ chapada ”. Claramente a imagem funciona como um elemento importante para que o aluno tenha condições construir a concretização da idéia de chapada e de compreender as diferentes formas de relevo. Sob um aspecto diferente, ao se trabalhar com imagens na disciplina de História, por exemplo, estas podem indicar uma realidade construída de acordo com o que mostrar, o que nem sempre é o real, e sim a idéia de alguém visto com deter-minado ponto de vista ou com alguma intenção ideológica. Como exemplo, temos fotos de cafezais com famílias completas, colhendo cafés, bem vestidas e felizes. Será que o trabalho nos cafezais, no início do século passado, era realmente assim? Quem produziu a foto, a pedido de quem, com qual objetivo?
Bem como as fotos históricas, as imagens jornalísticas também precisam ser vistas com cuidado especial e crítico, coisa que nem sempre acontece, principal-mente na rapidez do cotidiano globalizado. As imagens apresentadas nos jornais, noticiários, estão a serviço de quem? Qual o compromisso de quem as capta: desvendar ou ocultar o que realmente acontece?
Apesar das imagens não serem cópias da realidade, são por demais úteis, instrumento que não podemos abrir mão, pois são recursos que nos levam a ampliar nossa capacidade de apreensão do mundo. Na sociedade moderna/contemporânea, há uma industria de produção e consumo de imagens. Dessa forma, o que se faz com essa produção? Estará ajudando na propagação de um sistema político, eco-nômico e ideológico para legitimá-lo?
Portanto, a construção de imagens, independente de como ela se apresenta, seja fotos, pinturas, vídeos, entre outros, carrega a realidade da forma como é captada, não trazendo consigo a sua essência e sim uma interpretação sob uma deter-minada ótica de um sujeito com uma bagagem de um mundo existencial, subjetivo e pessoal. Perceber o que está nas entrelinhas das imagens é tão importante quanto ao seu uso, pois os olhos de alguém pode se tornar os olhos do mundo e imortalizar um tempo e espaço fragmentado e assim promover ou não alterações de uma de-terminada situação. Um exemplo disso é a famosa foto da menina, em plena guerra do Vietnã, correndo nua, queimada. O momento foi fragmentado, mas esta imagem foi responsável para que o mundo entendesse o que estava ocorrendo nesta guerra, passando a questioná-la bem como seu objetivo.
Concluindo, o olhar individual de cada um é adaptado diante das imagens construindo idéias do real , preocupação atual que já fora, em outros tempos, ques-tionadas por Platão e outros filósofos.
Por Alessandra Pesenti
Fonte das imagens:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipQXVwKy60J1vVUdBwoxvpHbno78CEVDY9SwzxAz84u_J_mSItc5q2CTp1r_8-JqUe-fpLOq_nBTmZXjhyphenhyphenNR4Evhy99_gyZ-H1Aw2YetNDC6sUhyNXCgIqGdZeYTKNosyEgBKsWZAlak-7/s1600/B33728D64DB26A22B1F9F5EB75567.jpg
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