Geografando...



O CO2 nos dias de hoje


          É muito evidente como o modelo de produção econômica atual é poluidor e destruidor da natureza. De um lado, temos a fartura e riqueza em algumas partes do mundo e de outro, a degradação ambiental, a poluição e a miséria. Em contrapartida, a consciência ambientalista evoluiu e se popularizou, passando progressivamente a fazer parte da vida cotidiana, por meio de decisões governamentais, mudanças de hábitos e implementação de ações e projetos conjuntos, envolvendo países, governos, empresas e cidadãos. O fato é que o problema ambiental é mundial e requer envolvimento conjunto e integrado de todos nós, os envolvidos.
          Todos admitem que o problema ambiental é sério, como também o aquecimento global, a poluição atmosférica e o efeito estufa  e que algo tem que ser feito. Mas, priorizam-se economias e consumos. Basta analisar a postura americana diante do Protocolo de Quioto.
          Com a mundialização do capitalismo, se intensificou a busca pelo lucro e, assim sendo, o Tratado de Quioto não deixou de ser uma mercadoria num lucrativo negócio chamado crédito de carbono. Dessa forma, as economias desenvolvidas compram dos países pobres o direito de poluir, compensando sua não redução na emissão de carbono ou outros gases do efeito estufa. Trata-se de uma flexibilização do Protocolo de Quioto pela qual os países ricos fazem acordos com empresas ou governos dos países pobres no sentido de promover uma redução fora do seu território. Isso ficou conhecido como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ( MDL ). A negociação de créditos de carbono é sua forma principal. Assim, as empresas que desenvolveram projetos industriais nos países em desenvolvimento para reduzir a emissão de gases poluentes poderão vender essa redução aos países que necessitem se enquadrar no padrão da  redução. A moeda do lucrativo comércio é o carbono equivalente.
Nesta realidade, empresas e governos reduzem a problemática ambiental de maneira simples,“prendendo” o CO2 na superfície terrestre, num determinado local, denominado país, e negocia esta mercadoria, em pacotes fechados, como se a problemática fosse apenas uma equação matemática, camuflando as necessidades do  plantio de vegetação que captura CO2 atmosférico e converte em matéria orgânica vegetal.
Ora, como ficamos?
Alê Pesenti





“Uma Verdade Inconveniente ”


A questão ambiental e as consequências do aquecimento global, inicialmente, eram discussões para especialistas e que, de tempos para cá, começaram  a ser abordadas pela imprensa, pelas escolas, pelos governos, até o ponto de se tornar base para um “pensamento politicamente correto”,  ser  utilizado como marketing para empresas e governantes, bem como candidatos ao governo de diversos locais. Juntamente com o destino do planeta, estes assuntos se tornaram excelentes temas para roteiros cinematográficos que renderam lucros aos seus criadores. Dentro desta abordagem, pode-se citar o filme “ Uma verdade inconveniente”.
Neste documentário o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore apresenta uma análise da questão do aquecimento global, e mostra os mitos e equívocos existentes em torno do tema e também possíveis saídas para que o planeta não passe por uma catástrofe climática nas próximas décadas. Ganhador de um Oscar pelo melhor documentário, faz um chamado para se conservar energia,  nos mostra o quanto a atmosfera terrestre é fina, e o quanto ela é essencial para o nosso planeta. Assim, a questão levantada é a emissão de dióxido de carbono e o consequente aquecimento global, que causaria, entre tantas catástrofes, o degelo das calotas polares, a subida do nível médio das águas do mar e a alteração da temperatura da água em todo o planeta. Na verdade, o filme trata-se uma palestra onde Al Gore começa mostrando a natureza e um pouco da política, na introdução. Quando a palestra de Al Gore inicia o espectador não consegue desviar a atenção. Mostra-se sabedor do assunto, não parece defender a natureza por “politicagem”.

            Usando ironia “saudável” mostra bom humor no início, porém, quando começa a falar sobre o tema central esse humor desaparece. Ao longo da palestra, Gore conta histórias e dá exemplos de sua vida para explicar alguns fenômenos, como o aquecimento global e a degradação da camada de ozônio. Mostra também vídeos irônicos, engraçados e ao mesmo tempo didáticos. Um dos pontos mais chocantes no documentário é a apresentação de um gráfico da temperatura em função dos anos e da concentração de CO² também em função do tempo, onde se percebe que o problema é mais sério do que muita gente imagina. Al Gore, toca em assuntos pessoais ao decorrer da palestra, como por exemplo, o acidente que vitimou seu filho e a doença que matou sua esposa. Ele não mostra apenas os problemas, apresenta também as soluções, mostrando o que podemos fazer para ajudar a contornar essa problemática.
O filme carrega consigo um teor que convence qualquer ser humano, principalmente aqueles que tenham como base apenas o conteúdo proposto por Gore, pois aborda um problema ético, moral  e de sobrevivência da humanidade.  O caráter de documentário bem como o uso de imagens e gráficos legitima a ideia de verdade e que com um jeito simpático, Gore lucra com suas centenas de palestras sobre a problemática, como uma autoridade inquestionável do assunto.

Ao assistir o filme, fiquei pensando, o tempo todo,  que Gore é um americano,  e não apenas um simples cidadão americano nacionalista, mas um político com pretensões presidenciais que  representaria uma nação americana com  interesses hegemônicos imperialistas historicamente construídos. Então,  como seria na prática política, defender interesses econômicos e ao mesmo tempo vestir a camisa da ecologia?
Com uma análise controversa do filme, através dos materiais apresentados neste módulo, pude concluir o caráter ideológico deste trabalho proposto por Gore, diante de uma derrota nas eleições presidências e de construção de um marketing pessoal que contradiz com a realidade vivenciada pelo mesmo agente ativo da defesa da natureza e do meio ambiente, num discurso aparentemente científico que legitima a fonte de autoridade de controlar as sabedorias humanas.
Apesar da utilização do tema como pano de fundo para marketings e faturamentos empresariais, pessoais e governamentais, é sim um tema a ser estudado e aprofundado com muito cuidado e diversidade de fontes, pois nas entrelinhas do assunto, pode estar uma defesa ou levantamento de bandeira com propósito ideológico questionável que acabará beneficiando apenas alguns, tal como essencialmente acontece no palco do capitalismo. Assim, dentro desta vertente, me chamou a atenção das ações geopolíticas do governo norte americano durante o mandato da dupla Clinton/Gore.
Estas ações geopolíticas de influência na escala mundial e regional, na defesa de interesses na escala local, me levou a pensar sobre a  obra “ uma verdade inconveniente” como uma legitimação para ações futuras do governo norte-americano em terras da floresta amazônica, atestando a incapacidade de ação dos governos dos territórios ocupados pela floresta, principalmente o brasileiro. Como o assunto tratado no filme centraliza a camada de ozônio, o aquecimento global e a emissão de CO2 na atmosfera, indiretamente, mostra ao mundo que a floresta amazônica é importante para o mundo e que este mesmo mundo deve permitir que os americanos a dominem para o bem do futuro da humanidade. Portanto, o que mais me preocupa com o filme, não é o oportunismo e a hipocrisia do trabalho de Gore, mas como este trabalho pode ser considerado como verdade absoluta e que o mundo precisa tomar conta da Amazônia através da superpotência mundial, os EUA.


Alessandra Pesenti




 A questão Nuclear e o Brasil

A energia elétrica gerada pelas atuais usinas nucleares baseia-se na divisão do átomo e usam como matéria-prima o urânio, minério altamente radioativo ( emitem radiação – transmissão de energia através de ondas subatômicas. Liberam constantemente energia ). Nas usinas atômicas, a quebra nuclear é provocado sob o controle no reator atômico. A energia liberada na fissão produz calor, que aquece uma certa quantidade de água, transformando-a em vapor. A pressão do vapor faz girar uma turbina que aciona o gerador convertendo a energia mecânica em elétrica.

Esse tipo de geração de energia entrou em declínio no mundo devido os acidentes gravíssimos ocorridos nas usinas nucleares, além da poluição e escape de radiação, dos problemas ambientais gerados, o aquecimento do meio ambiente ao seu redor e a produção do lixo atômico.

A sua importância não pode ser negada pois surge como uma alternativa aos países num momento em que o mundo busca novas fontes de energia e numa época em que o petróleo vem sendo colocado me questão por conta de assuntos geopolíticos,ambientais, escassez e preço do produto.

Porém, há o desenvolvimento da tecnologia nuclear, que, nas ultimas décadas,vem sendo intensamente pesquisado e com grandes avanços e mudanças. Muitos reatores de hoje serão transitórios para uma tecnologia mais avançada, onde poderão utilizar o plutônio como matéria-prima.
Portanto, se isso ocorrer, a energia nuclear poderá estabelecer uma expansão no mundo. 

O Programa Nuclear Brasileiro, especialmente o acordo com a Alemanha, vem sendo criticado por cientistas e pela população por vários motivos: por ser uma decisão “de cima para baixo”, que a previsão de falta de energia não se concretizou, pelo alto custo das usinas e das tarifas para o suprimento da eletricidade, além dos riscos ambientais.

A energia nuclear foi desenvolvida para produzir bombas atômicas com terrível poder explosivo, mas logo se percebeu que poderia também ser usada em reatores nucleares nos quais se produz eletricidade. Como separar essas atividades e como limitar o seu uso aos fins pacíficos, evitando que seja usada para fins militares?

Esse desafio está sendo enfrentado, há quase 40 anos, pelas restrições impostas pelas grandes potências que desenvolveram armas nucleares aos demais países. Isso foi feito por meio do Tratado de Não-Proliferação (TNP), firmado em 1967, que legitimou a posse de armas nucleares pelos Estados Unidos, pela Rússia, pela Inglaterra, pela França e pela China e tentou evitar que outras nações as desenvolvessem, restringindo o acesso à tecnologia. 

O TNP foi o resultado de uma barganha diplomática: países abririam mão do acesso a armas nucleares em troca do desarmamento progressivo das grandes potências, o que, ao longo dos anos, levaria ao banimento dessas armas. Ele dividiu o mundo assimetricamente em dois grupos: os "que têm" e "os que não têm" armas nucleares. As restrições do TNP, porém, têm sido aceitas voluntariamente por muitos países. O Brasil está entre eles, uma vez que o governo se convenceu, a partir de 1992, de que a posse de armas nucleares não traria vantagens ao País, incluindo restrições às importações. 

Juntamente com a Argentina, abriu mão do acesso a armas nucleares, o que tornou o Cone Sul da América Latina uma zona livre de armas e ameaças nucleares. As nações do planeta, que não explodiram bombas atômicas antes de 1967, se comprometem, conforme assinado no TNP, a jamais produzir tais armas. Contudo, elas podem desenvolver tecnologia nuclear, desde que seja para fins pacíficos, como, por exemplo, para a produção de energia elétrica. Esses projetos, porém, devem passar pela inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e, caso algo de errado seja detectado, o projeto é encaminhado para o Conselho de Segurança da ONU.

Portanto, o Brasil não apresenta incoerência em seu programa de desenvolvimento nuclear e fazer parte de uma Zona Livre de Armas Nucleares, pois tem como objetivo a produção de energia de reserva e, de acordo com a constituição brasileira, o país não poderá ter ou produzir armamentos nucleares. As zonas livres de armas nucleares representa regiões que abriram mão da produção de armamentos nucleares, mas isso não impede que a tecnologia nuclear seja utilizada para fins benéficos, como é o caso do Brasil, que enriquece o urânio a 4% ou 5%, potencialidade muito distante da produção de armas, que é de 93%.
Alê Pesenti






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